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Historiador alerta para as sombras do nazismo | Estadão

27 de agosto de 2018

O britânico Richard J. Evans, autor de “Terceiro Reich: na Memória e na História”, diz que a ideologia de Hitler sobrevive no mundo

Elias Thomé Saliba*, Especial para O Estado

Richard J. Evans foi um dos raros historiadores a atuar como perito no longo contencioso judicial do negacionista David Irving contra Debora Liptstad. E mais raro ainda, a virar personagem de filme, o longa Negação, de 2016 – que narrou a dramática história do mesmo julgamento. Lembre-se que em Telling Lies About Hitler, de 2002, Evans, além de expor detalhes de sua crítica documental, já havia desdramatizado o julgamento. Nada a estranhar, portanto, que, revelando amplo domínio da incomensurável produção sobre a Alemanha de Hitler, o historiador mostre, em Terceiro Reich na História e na Memória, como hoje é quase impossível escrever tal história sem examinar as formas como o nazismo sobreviveu aos tortuosos caminhos da memória coletiva.

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Richard Evans. Foto: Editora Crítica

Em julho de 1932, os alemães inauguraram a estátua de um enorme elefante estilizado, em Bremen, celebrando as conquistas do colonialismo no Sudoeste africano e exigindo o restabelecimento das colônias perdidas após a 1ª. Guerra. O monumento obscurecia a história mais perversa do domínio alemão na Namíbia. Foi lá que o bacteriologista Robert Koch não teve obstáculos legais para injetar em cerca de mil africanos, que padeciam da doença do sono, doses diárias altíssimas de arsênico. Apenas um pouquíssimo conhecido exemplo daquilo que o regime colonial alemão perpetrou, eliminando mais da metade da população de hereros e namas, entre 1904 e 1907. Outros regimes coloniais não foram menos brutais do que o alemão – como o jugo belga no Congo, o dos franceses na Argélia ou dos italianos na Etiópia – pois também se utilizaram da expropriação, submissão a trabalhos forçados ou assassinatos em massa. Mas foi na Namíbia que os alemães experimentaram pela primeira vez (na linguagem e na realidade) os “campos de concentração”. Seria um projeto do horrendo genocídio (a palavra não era utilizada na época) que viria décadas depois?

Evans não vai na onda de nenhuma generalização e afirma que embora o colonialismo alemão tenha sido mais sistematicamente racista em conceito e mais brutal em operação que outros colonialismos, os campos de concentração na África do Sudoeste alemã não eram como Treblinka, cujo propósito único foi extinguir os judeus, os ciganos e quaisquer outros “forasteiros étnicos”.

Documentação inédita, mencionada pelo historiador em outros estudos, comprova que a abrangente escala europeia e global das intenções nazistas em relação aos judeus foi o que diferenciou o genocídio do Holocausto de outros extermínios em massa. Evans subscreve o veredicto de outro historiador do nazismo, Ian Kershaw: “O caminho para Auschwitz foi construído pelo ódio, mas pavimentado pela indiferença.” De qualquer forma, o incômodo Elefante continua lá, numa praça de Bremen.

Evans documenta, ainda, como grandes empresas industriais que se envolveram nos crimes do nazismo tentaram, após a guerra, abafar, manipular ou apagar a memória de sua participação. Há operações de esquecimento que resultaram, até certo ponto, pitorescas, como a das associações do KdF-Wagen, “carro da Força e da Alegria” (depois conhecido como Fusca) ao nazismo: todas foram esquecidas, numa lavagem a jato da memória, que atribuiu todas as suas origens ao gênio individual de Ferdinand Porsche. Mas há livros, escritos por historiadores, que também incentivam o esquecimento seletivo, como aqueles que perpetraram uma espécie de história oficial celebratória sobre a Krupp, maquiando o lado sombrio das estreitas associações da empresa com o nazismo, que usou, por exemplo, mão-de-obra escrava na fabricação de armamentos.

Evans tem ojeriza a truques retóricos. Quase sempre vai direto ao ponto. Comprova que até mesmo a frase “Quando ouço a palavra cultura, saco meu revólver” – que resumia a atitude nazista em relação às artes – é apócrifa e erroneamente atribuída a Goering. Originalmente ela fazia parte da peça Schlageter – um drama cheio de patriotadas no qual o personagem principal exclamava: “Quando ouço cultura, libero a trava de segurança da minha Browning!”

Um dos ensaios reveladores é aquele que analisa as “deportações, expulsões e migrações forçadas” – durante, mas sobretudo após a guerra – o que, pela força das narrativas unilaterais de cada país, acabou fomentando um apagamento ainda maior. Compreendidas de forma mais global, tais “migrações forçadas” levaram à morte de quase meio milhão de pessoas. É vital recuperar tal história, já que ela questiona a difundida compreensão da 2ª. Guerra como uma luta dos completamente bons e benévolos aliados contra o maligno nazismo e a maléfica agressão alemã. Raras as vozes que, já no pós-guerra, denunciaram tais crimes, perpetrados tanto pelos aliados quanto pelos russos.

Difícil escolher entre os 28 pequenos ensaios, todos eles tratando de temas polêmicos da vasta bibliografia referente ao nazismo. Alguns talvez sejam mais atraentes para o leitor, como os que abordam a figura de Hitler, que se tornou, afinal, um imã memorialístico poderoso de tantas teorias conspiratórias e patologias paranoicas. Hitler era doente? A idéia da insanidade de Hitler foi algo no qual os alemães acabaram acreditando durante os últimos estágios da guerra e, por muito tempo depois – como que para se eximirem da responsabilidade pelas ações do Füher. Esta narrativa foi alimentada pelo relatório do psicanalista Walter Langer sobre “a mente de Hitler”, escrito em 1943, sob encomenda do serviço secreto americano, o qual forneceu munição para inúmeras especulações. E, apesar da recente revelação de que uma parte do crânio do ditador, secretamente preservado pelos soviéticos, conter a marca da bala e a mandíbula – o que só foi descrito por Jean-Chrisphophe Brisard e Lana Parschina, no recém-lançado A Morte de Hitler – a resposta de Evans é um retumbante “não”: Hitler não era doente (e nem doente mental). “Se as suas ações e convicções foram racionais é outra questão, pois, irracionalidade e loucura não são a mesma coisa” – conclui o historiador.

* É professor titular da USP e autor de ‘Crocodilos, Satíricos e Humoristas’ 

 

Somos todos torturadores inofensivos nas redes sociais, dizem psicólogos | Folha de S. Paulo*

22 de agosto de 2018

Paul Bloom / Matthew Jordan, para o The New York Times

Pesquisadores mostram que comportamentos individuais podem ser inofensivos quando aparecem de forma isolada, mas muito perigosos quando repetidos por diversas pessoas. A reflexão se aplica especialmente ao caso de linchamentos nas redes sociais.

Há um botão na sua frente; se você girá-lo, um estranho que está sentindo uma dor tolerável causada por um choque vai receber uma voltagem mais forte, mas tão leve que nem ele mesmo vai perceber. Você gira o botão e vai embora. Só que centenas de pessoas passam por ali e fazem a mesma coisa, até que a vítima começa a gritar de agonia.

Derek Parfit

Derek Parfit

Você fez alguma coisa errada? Derek Parfit, o influente filósofo britânico que morreu em janeiro de 2017, definiu esse caso como o do “Torturador Inofensivo”. A princípio, ele pensou num cenário mais simples, no qual mil torturadores girariam o botão mil vezes cada um em suas próprias vítimas. Obviamente, isso é terrível.

Então Parfit explora um outro caso, em que cada um dos mil torturadores gira o botão mil vezes, só que, a cada volta, eletrocutando uma das mil vítimas diferentes. O resultado é o mesmo: mil pessoas em agonia. No entanto, moralmente, a impressão é diversa, já que ninguém, de modo individual, causou mal real a um indivíduo específico.

Esse parece o tipo de exemplo técnico bem bolado que os filósofos adoram —entre outras coisas, é um desafio a uma visão utilitarista que analisa a incorreção de um ato apenas por suas consequências—, mas sem relevância no mundo real.

Só que o mundo mudou desde que Parfit publicou esse cenário, em 1986. Hoje, em 2018, os dois autores deste artigo são Torturadores Inofensivos, e você —independentemente da posição que você assuma diante de qualquer questão específica— provavelmente também é.

Esse enredo de Parfit se repete a todo momento nas redes sociais. Alguém escreve algo ruim sobre você no Facebook; dependendo da relação que tiver com tal pessoa, você pode chegar a se magoar pessoalmente ou não, mas, como ninguém percebe, não é lá grande coisa. Porém, se no dia seguinte houver mil curtidas e inúmeros comentários irônicos, é bem provável que você fique arrasado. Embora cada um dos comentários em particular tenha causado pouca ou nenhuma mágoa, o efeito agregado é muito mais grave.

No livro “So You’ve Been Publicly Shamed” [Então você foi humilhado em público], de 2015, Jon Ronson explorou os efeitos do linchamento digital, incluindo a história de uma mulher cujo tuíte irônico sobre o privilégio dos brancos deu muito errado, gerando dezenas de milhares de respostas enfurecidas, levando-a a perder o emprego e ter que se esconder.

Desde então, a turba tem andado ocupada: sua atenção se voltou para um dentista que matou um leão, uma série de mulheres brancas que, sem motivo aparente, chamaram a polícia por causa de negros, uma professora esquerdista que pediu a amigos que expulsassem um jornalista de um protesto e vários outros.

Quando pensamos na selvageria das redes sociais, em geral temos em mente um comportamento individual péssimo: ameaças de morte e de estupro, divulgação de informações pessoais, inclusive endereços e locais frequentados pelos filhos das vítimas ou mentiras maldosas, por exemplo. O Torturador Inofensivo, contudo, nunca vai tão longe. Ele apenas curte, retuíta e acrescenta aquele comentário inteligente ocasional. O problema é que somos milhões, todos girando o botão.

Parfit não nos diz, em momento algum, qual é a motivação dos torturadores de seu experimento mental, mas há diversas considerações no dia a dia. Afinal, somos animais morais. Há inúmeras evidências em estudos de laboratório e na vida real de que queremos ver os agentes imorais recebendo o castigo merecido. Isso está baseado na lógica evolucionista: se não estivéssemos sempre dispostos a punir ou excluir os malvados, não haveria ônus nenhum em ser bandido, e as sociedades cooperativas não decolariam.

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Against Empathy, livro do professor de psicologia Paul Bloom

Há também uma espécie de crédito social que acompanha o fato de ser visto como punidor moralista: queremos mostrar aos outros que somos bons, exibir nossa virtude. Quando alguém está olhando, é maior a tendência de agirmos como punidores, e há provas de que terceiros têm em mais alta conta —e mais chances de depois considerar de confiança— quem pune os bandidos, e não aqueles que ficam parados sem fazer nada.

No mundo real, é complicado desassociar as motivações morais das sociais. Na coluna The Stone, do New York Times, o filósofo Bryan W. van Norden escreveu: “Como a maioria dos americanos, vibrei espontaneamente quando vi o nacionalista branco Richard Spencer tomando um soco durante uma entrevista”. É difícil dizer em que medida a afirmação retrata prazer genuíno por um racista ter recebido o que merece e em que medida reflete o desejo de ser visto como antirracista para o público aplaudir.

Se a motivação consciente de nossa reprovação é explícita, a ideia de fazer nossa vítima sofrer talvez nunca nos ocorra. E a facilidade com que expressamos indignação moral online —na maioria das vezes sem qualquer repercussão no mundo real— torna essa condenação muito mais fácil. Como escreveu Molly Crockett, nossa colega de Yale: “Se a revolta moral é o incêndio, então a internet é gasolina?”.

Há também um sistema de recompensa construído em cima do constrangimento online. Em artigo publicado no site Quillette, “I Was the Mob Until the Mob Came for Me” [Eu era a turba até a turba vir atrás de mim], um autoproclamado ex-justiceiro social, sob o pseudônimo Barrett Wilson, descreveu a empolgação que sentia nos tempos de execração cibernética: “Toda vez que eu chamava alguém de racista ou sexista, a adrenalina subia. E a sensação se reafirmava e se sustentava a cada estrelinha, corações e joinhas que constituem as esmolas da validação das redes sociais”.

Mas causar morte com milhares de facadas não é uma coisa boa? Se fosse Hitler, não seria certo fazê-lo passar por isso? Sim, mas o problema é que, quando estamos cheios de indignação moral, agindo como parte da massa num mundo virtual sem nenhum sistema fixo de avaliação, lei ou justiça, todos os inimigos viram Hitler. É muito fácil haver, como diz Ronson, “uma dissociação entre a gravidade do crime e a selvageria eufórica da punição”.

Claro que o constrangimento público pode ter efeitos positivos. Às vezes a massa ensandecida acerta. Entretanto, da mesma forma, os Torturadores Inofensivos podem facilmente atingir os fracos e indefesos; o ataque pode se basear em mentiras e confusões ou ser encorajado pela ignorância de celebridades e políticos —incluindo e destacando o atual presidente [dos EUA].

O efeito do Torturador Inofensivo não se limita às redes sociais; podemos ver também as consequências da agregação quando se trata de ações individuais de maior impacto. Curtidas e retuítes têm uma semelhança estrutural com a execução por apedrejamento, sobretudo se o público é grande: é difícil ver a vítima e ninguém tem boa pontaria. Rejeição social é outro caso, uma tortura pelo acúmulo de omissões —indivíduos evitando contato com determinada pessoa—, e não por ações.

O escritor Julian Sanchez, membro do libertário Instituto Cato, usou o exemplo de Parfit em uma discussão sobre comportamentos como assobiar para uma mulher ou usar linguajar ofensivo de brincadeira. Ele observa que a reação típica à crítica dessas atitudes é a negação —muitos acham que não há má intenção nessas ações e que ninguém se machuca com elas. Mas, mesmo que seja válido para condutas individuais, a situação muda quando a consideramos em termos agregados, repetindo-se vezes sem conta, milhares de vezes por milhares de pessoas —e aí o impacto se torna óbvio.

É difícil mudar os tipos de comportamento que Sanchez aborda, e talvez mais difícil até fazer as pessoas repensarem o linchamento online, já que a sensação é muito boa quando achamos que estamos do lado certo. Nossa mente evoluiu para levar em consideração os efeitos de nossas ações individuais; é difícil pensar nos efeitos agregados. Mas a lição que fica do Torturador Inofensivo de Parfit é que, se queremos ser pessoas decentes, devemos tentar.

*Texto publicado originalmente no jornal The New York Times.

Paul Bloom é professor de psicologia de Yale e autor de “Against Empathy: The Case for Rational Compassion” (contra a empatia: por uma compaixão racional).

Matthew Jordan é aluno de psicologia de Yale.

Ilustrissima / Folha de S. Paulo, 17.08.2018

Movie: “I am (not) a monster” |Nelly Ben Hayoun Studios

20 de agosto de 2018

I am (not) a Monster is a multi platform project which aims to unravel one of the biggest questions of our age: who controls what we think?

35934597_190411258291116_228950902524870656_nI am (not) a monster is a multi-platform project (feature-length film, short films, events, musical record, and exhibition) demonstrating the state  of ideologies – their origins, formulation and power structures – in contemporary society. It investigates the means by which knowledge is interwoven with the idea of cultural heritage  while  current  development  in  AI  suggests  a  global  notion  of  ‘collectiveness’.  Trained  by  Noh theatre,  Kabuki  experts  and  Sumotoris  in  Japan,  with  Bunraku  puppets  in  hand,  Nelly  Ben  Hayoun reenacts and questions the writings of political theorist Hannah Arendt while talking to the world’s most influential thinkers accompanied by Japanese monsters known as Yokais. On her dynamic journey from Ethiopia and Egypt to Japan, Germany, Netherlands, Italy, and the UK, she also engages with families, students of alternative educative structures and Hannah Arendt’s students. Together, they try to answer one of the greatest questions of our age: who owns knowledge and the act of thinking?

Featuring Prof. Noam Chomsky, Prof. Arjun Appadurai, Nadezhda Andreyevna Tolokonnikova of Pussy Riot, Hannah Arendt’s students: Richard J. Bernstein, and more.

For release in March 2019

Director of Photography: Fiona Braillon

Executive Producers: Christo Hird at Dartmouth Films and Nelly Ben Hayoun at Nelly Ben Hayoun Studios

Assistant Producer: Monika Baran

Project Manager: Chloe McClellan

Producer Assistant: Marie Otsuka

Editor: David Potter

Directed by Nelly Ben Hayoun;

R&D phase coproduced by Z33 House for Contemporary Arts, MU Eindhoven and Nelly Ben Hayoun Studios

Website: iamnotamonster.world

Hannah Arendt im Gespräch mit Joachim Fest

19 de agosto de 2018

 

Eine Rundfunksendung aus dem Jahr 1964
Herausgegeben von Ursula Ludz und Thomas Wild

Joachim Fest: Frau Arendt, glauben Sie, dass irgendein Zusammenhang besteht zwischen dem Eichmann-Prozess und den sogenannten KZ-Prozessen in Deutschland1, und vor allem: sind die Reaktionen in Deutschland und in Israel in irgendeiner Weise vergleichbar? Man hat ja gelegentlich davon gesprochen, dass Deutsche und Juden gemeinsam hätten, was man mit einem wenig glücklichen Ausdruck die sogenannte unbewältigte Vergangenheit nennt.

Hannah Arendt: Also dies sind ja zwei Fragen. Darf ich erst mal das erste beantworten: Ich bin der Meinung, dass der Eichmann-Prozess wirklich als ein Katalysator für die Prozesse in Deutschland gewirkt hat. Einige davon sind früher gewesen, einige Verhaftungen haben früher stattgefunden. Nun, wenn Sie sich das mal statistisch ansehen und das Datum von Eichmanns Entführung2, nicht vom Eichmann-Prozess natürlich, im Kopf haben, dann werden Sie überwältigt sein, rein prozentual. Und ich will mich jetzt hier nicht darüber äußern, warum wohl das so gewesen ist – es ist eine einfache Tatsache.3
Nun, Sie sagen mit Recht, die Frage der unbewältigten Vergangenheit hätten die Juden und die Deutschen gemeinsam. Ich möchte das etwas einschränken. Erstens ist natürlich die Art und Weise der unbewältigten Vergangenheit, die man gemeinsam hat, sehr verschieden zwischen Opfern und Tätern; denn auch die Judenräte sind natürlich Opfer. Sie sind deshalb noch nicht hundertprozentig entschuldigt, aber selbstverständlich stehen sie auf der anderen Seite, das ist ja offenbar.

Nun, die unbewältigte Vergangenheit außerdem ist irgendetwas, was – ich weiß das aus Amerika –  Juden und Deutsche eigentlich mit fast allen Ländern oder allen Völkern der Erde teilen, jedenfalls in Europa und in Amerika. Das Entsetzen selber, das aus diesen ganzen Dingen hervorgeht, geht alle an, und nicht nur Juden und Deutsche. Juden und Deutsche haben gemeinsam, dass sie die unmittelbar Beteiligten sind.

Und nun fragen Sie: „Ist diese Reaktion dieselbe in Deutschland und Israel?“ Sehen Sie, ein Viertel der israelischen Bevölkerung, 25 Prozent, besteht aus unmittelbar Betroffenen. Das ist ein enormer Prozentsatz in einer Bevölkerung. Dass die selbstverständlich jetzt als Opfer anders reagieren als der durchschnittliche Deutsche gleich welcher Generation, der nur einen Wunsch hat, davon nie wieder was zu hören, ist ja klar. Auch die wollen nicht mehr davon hören; aber aus ganz anderen Gründen.

Jetzt gibt es eine Sache, die mir aufgefallen ist, und das ist die Einstellung der Jugend in Israel und der im Lande Geborenen. Und da gibt es ein Desinteressement, das dem Desinteressement in Deutschland irgendwie gleich gelagert ist. Sie haben auch die Vorstellung: Das sind die Probleme unserer Eltern … Nur jetzt anders natürlich: „Wenn unsere Eltern wünschen, dass das und das geschieht – also dann natürlich! Bitteschön! Aber man soll uns doch bitte sehr … Wir sind nicht sehr interessiert daran.“ Das war ganz allgemein. Also es ist ein Generationenproblem wie in Deutschland.

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Crítica: “O Caso do Homem Errado” é um filme necessário por sua terrível atualidade | Folha de São Paulo

16 de agosto de 2018

Assunto do documentário é o genocídio negro que continua em curso

por LÚCIA MONTEIRO, para a Folha de São Paulo

Uma mulher caminha pela capital gaúcha exibindo um cartaz. Nele, vê-se a fotografia de um homem negro ferido na boca, sob os dizeres “Até quando?”. Assim começa “O Caso do Homem Errado”, filme de Camila de Moraes.

A história contada pelo documentário (trailer ao final do texto) começa em 14 de maio de 1987. Durante um assalto a um supermercado de Porto Alegre, com duas crianças feitas reféns, uma multidão se forma. Um dos que param para ver o tumulto é Júlio César, o operário cuja imagem aparece estampada no cartaz.

Ele tem um ataque epilético, cai no chão e, confundido com um assaltante, é colocado no fusca da Polícia Militar. Chega morto ao hospital, com um tiro no peito.

Fotógrafo do jornal Zero Hora, Ronaldo Bernardi fez imagens de Júlio César sentado na viatura da polícia, algemado, e no IML, já sem vida. Publicadas no dia seguinte, elas se tornaram imediatamente prova da execução praticada pelos policiais. E que tinha como alvo de predileção jovens negros e pobres.

Esteticamente sóbrio, o documentário reconstitui a história de Júlio César e do julgamento que se seguiu atendo-se a entrevistas com pessoas próximas à vítima, jornalistas e defensores dos direitos humanos. Nesse sentido, trata-se de um filme militante, que não pondera com “o outro lado”.

São emocionantes e desoladores os depoimentos do fotojornalista Ronaldo Bernardi e do ex-procurador Luiz Francisco Correa Barbosa — ambos se envolveram pessoalmente na investigação desse crime.

O caso se tornou célebre no Rio Grande do Sul, sobretudo pelo fato de Júlio César ser um trabalhador — e por isso chamado de “o homem errado”. Os entrevistados ouvidos no filme questionam, no entanto, o título. Afinal, haveria um homem certo, que merecesse ser executado sem julgamento nem direito à palavra?

De lá para cá, infelizmente não é possível comemorar a diminuição da violência policial nem da seletividade racista de seus alvos.

O assunto do filme, no fim, é o genocídio negro que continua em curso. Empreitada de duas cineastas negras —a produtora Mariani Ferreira assina o roteiro ao lado da diretora, Camila de Moraes— “O Caso do Homem Errado” é um filme necessário por sua terrível atualidade.

O CASO DO HOMEM ERRADO
Quando Em cartaz
Classificação 10 anos
Produção Brasil, 2017
Direção Camila Lopes de Moraes

Livro destaca escritoras que adotaram posições críticas ao feminismo |Folha de S. Paulo

13 de agosto de 2018

por JULIANA DE ALBUQUERQUE, para o Ilustríssima (Folha de S. Paulo)

Livro lançado nos EUA e na Inglaterra destaca autoras que tiveram a coragem de adotar posições dissidentes diante de eventos históricos, movimentos sociais e ideologias. Entre as características que unem muitas delas está a crítica ao feminismo

600full-simone-de-beauvoirQuestionada sobre o caráter problemático e, muitas vezes, antifeminista de suas heroínas, Simone de Beauvoir respondeu que a sua tarefa enquanto escritora era criar personagens que apresentassem ao leitor um leque de reações possíveis aos dilemas de cada mulher e às situações de opressão experimentadas por elas no cotidiano.

A autora considerava a verossimilhança de suas protagonistas uma característica essencial para promover a literatura enquanto exercício capaz de descrever não só a ambiguidade que permeia a experiência humana mas também como ela interfere na formação do sujeito.

Em “Os Mandarins”, romance baseado na vida intelectual francesa do pós-Segunda Guerra, Beauvoir desenvolve esse raciocínio ao discorrer sobre a dificuldade de mulheres de diferentes idades, profissões e classes para usufruir certo grau de autonomia ao mesmo tempo em que se esforçam para atender uma série de exigências sociais em relação a seus corpos e modos de vida. São os casos da personagem Paula Maureil, aterrorizada pelo envelhecimento e pelo crescente desinteresse do amante, e da intelectual Anne Dubreuilh, espelhada na autora.

Assim, nos romances de Beauvoir, as personagens femininas não poderiam ser perfeitas porque o mundo estaria longe de sê-lo. Transformar a mulher em um modelo de perfeição seria negar-lhe a possibilidade de assumir riscos e cometer erros, condenando-a a uma posição de virtuosismo moral permanente. Seria o mesmo que mantê-la na situação de menoridade e insignificância cultural alimentada pelo machismo.

Parece ser nesse sentido que Michelle Dean escreve sobre uma série de autoras do século 20 responsáveis por inovações na escrita jornalística e que transformaram em arte: a crítica, o ensaio documental e o comentário político.

Lançado em abril nos Estados Unidos e na Inglaterra, “Sharp: The Women Who Made an Art in Having an Opinion” (Afiadas: as mulheres que fizeram do opinar uma arte) introduz o leitor no universo de escritoras como Dorothy Parker, Rebecca West, Mary McCarthy, Hannah Arendt, Susan Sontag e Joan Didion, buscando analisar o que as teria estimulado a adotar posicionamentos dissidentes diante de eventos históricos, movimentos sociais e ideologias políticas —posicionamentos que, com frequência, deram origens a escândalos dentro e fora de suas comunidades.

Um exemplo é o conhecido texto de Hannah Arendt (1906-75) publicado na revista norte-americana The New Yorker em 1963, no qual ela cunhou a expressão “banalidade do mal” ao escrever sobre o julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém. A filósofa viu-se acusada de simpatizar com o inimigo nazista, pois a expressão levaria à conclusão de que atrocidades (como o Holocausto) não seriam perpetradas por monstros, mas por pessoas comuns que se abstêm de pensar por conta própria.

young-arendtEssa crítica se somava à de que Arendt estaria responsabilizando as autoridades judaicas pelo extermínio em massa na Europa. Em seu artigo, hoje publicado como livro (“Eichmann em Jerusalém”, Companhia das Letras), ela propôs uma tese polêmica: “Onde quer que vivessem judeus, havia líderes judaicos reconhecidos, e essa liderança, quase sem exceção, cooperou, de um modo ou de outro, por uma razão ou por outra, com os nazistas. A verdade é que, se o povo judeu estivesse realmente desorganizado e sem líder, teria havido o caos e muita miséria, mas o número total de vítimas mal teria chegado a algo entre 4,5 milhões e 6 milhões de pessoas”.

Os duros ataques partiram de muitos de seus amigos e colegas, como o filósofo e historiador Gershom Scholem, que caracterizou o posicionamento de Arendt como expressão de desamor ao povo judeu. A crítica foi reproduzida na reação de Kurt Blumenfeld, ex-secretário da Organização Sionista Mundial e mentor político da filósofa no entreguerras.

Ela, porém, não se intimidou com as críticas e não pediu desculpas aos amigos nem ao movimento sionista —atitude que, segundo o jornalista israelense Amos Elon, retumbou na sua excomunhão tácita. Arendt preferiu defender o ponto de vista que, por ser tão denso e controverso, ainda alimenta uma série de excelentes discussões acadêmicas. Uma delas é a recente análise oferecida pela historiadora e filósofa alemã Bettina Stangneth em “Eichmann Before Jerusalem: The Unexamined Life of a Mass Murderer” (Eichmann antes de Jerusalém: a vida não examinada de um assassino em massa).

De acordo com Stangneth, a descoberta de novos documentos sobre o oficial da SS (milícia nazista) revela uma personalidade muito mais complexa do que aquela descrita por Arendt durante a cobertura do julgamento e, segundo a historiadora, muito provavelmente colocaria em xeque a tese arendtiana sobre a banalidade do mal.

A força de uma ideia, no entanto, talvez esteja justamente na capacidade de renovar-se diante das mais diversas críticas, preparando terreno para uma série de outras formas de interpretar o mundo e a condição humana. A história da filosofia é repleta de movimentos semelhantes, em que concepções do passado ganham ou perdem vigor através de um exercício constante de avaliação e reformulação.

Engana-se quem acha que o êxito cultural de uma ideia se deve à coerência intelectual de um pensador ou de uma figura pública, como se o mundo fosse uma sala de aula dominada por cabeças de ferro em busca de incontestável aprovação.

Grandes pensadores como Kant, Hegel, Marx, Nietzsche e Freud entraram para a história não porque reprisaram uma resposta conveniente na prova da escola, mas porque tiveram a coragem de pensar diferente. O mesmo pode ser dito de grandes pensadoras como Beauvoir e a própria Arendt. Assim, o que definiria o projeto intelectual dessas mulheres seria, antes de tudo, a coragem para enfrentar todo e qualquer tipo de impopularidade.

Neste ponto, vale ressaltar que o risco de impopularidade sempre acarretou consequências mais graves para as mulheres do que para os homens. De acordo com a historiadora britânica Mary Beard, autora de “Mulheres e o Poder”, isso é produto de uma educação política em que a retórica e o exercício da vida pública foram transmitidos de uma geração para a outra como valores masculinos por excelência.

Uma sequela dessa herança cultural é a dificuldade de aceitar a autoridade das mulheres, seja em queixas de violência física ou moral, seja no exercício da vida pública ou intelectual. Recorde-se, quanto a este último aspecto, o relato de Beauvoir sobre as mensagens hostis que recebeu ao publicar “O Segundo Sexo” em 1949: “Mal-amada, fria, fálica, ninfomaníaca, lésbica, cem vezes abortada”. Críticas voltadas à sua pessoa que repercutem até hoje e que, durante muito tempo, obstaculizaram o reconhecimento da sua obra como parte do cânone filosófico ocidental.

Essa coragem para enfrentar os riscos de impopularidade é a característica que une todas as dez escritoras mencionadas por Michelle Dean em “Sharp”.

A americana Dorothy Parker (1893-1967) teve a audácia de escrever algumas das críticas mais mordazes e deliciosas sobre a cena cultural de seu país nos anos 1920, inclusive comprando briga com um jovem autor em ascensão: Ernest Hemingway.

A escritora inglesa Rebecca West (1892-1983) foi uma das primeiras vozes de esquerda a denunciar os excessos revolucionários de comunistas na Europa Oriental.

7316259_112197009769Íntima de Arendt, Mary McCarthy (1912-89) foi durante muito tempo uma das críticas literárias mais temidas e respeitadas dos Estados Unidos. De caráter independente, ela se opunha a pertencer ao movimento feminista. Ainda assim, o pesquisador Thomas Mallon, editor da obra completa de McCarthy para a coleção Library of America (biblioteca da América), afirma que seus textos de ficção revelam uma voz naturalmente inclinada ao feminismo. Exemplo disso é o seu romance “O Grupo”, sobre oito amigas de formação universitária cujos relacionamentos familiares e profissionais com homens impõem obstáculos ao exercício da autonomia feminina.

A suspeição diante do feminismo também une boa parte das escritoras analisadas por Dean, embora a postura crítica dessas mulheres perante o movimento não se traduza em uma posição reacionária.

Cada uma delas possui uma relação única com percepções e momentos distintos do feminismo. No capítulo sobre West, sabe-se de seu envolvimento com sufragistas inglesas que ela própria considerava pudicas e, depois, com o jornal Freewoman (Mulher Livre), um espaço em que as autoras podiam escrever sem adotar os bordões da propaganda sufragista. A passagem de uma visão de feminismo para outra provoca no leitor a reflexão de que, para ser saudável, qualquer movimento social deve abarcar vozes dissidentes.

No capítulo sobre Susan Sontag (1933-2004), por sua vez, temos a impressão de encontrar uma personalidade complexa e sedutora, cujo brilhantismo intelectual e exuberância criativa fogem a qualquer tentativa de classificação. Ensaísta, romancista, cineasta, crítica cultural e correspondente de guerra, Sontag dizia-se militante feminista, e não feminista militante.

7907Em “Regarding Susan Sontag” (sobre Susan Sontag), documentário produzido pelo canal PBS, Eva Kollisch, escritora norte-americana de origem austríaca, reflete sobre essa questão: “O feminismo nunca ajudou Susan em nada. Ela já tinha conquistado o direito de ser uma grande mulher. O feminismo deve ter reduzido a sua esfera de atuação, porque de repente ela teve que se identificar com todas essas outras mulheres”.

No entanto, pergunto-me se, em vez de denunciar um poderoso senso de excepcionalidade, o afastamento crítico de Sontag em relação ao feminismo militante seria, isto sim, revelador de uma atitude de responsabilidade intelectual.

Por exemplo, no ensaio “Fascinante Fascismo”, publicado na coleção de artigos chamada “Sob o Signo de Saturno” (ed. L&PM), a autora comenta a problemática inclusão de Leni Riefenstahl (diretora de filmes de propaganda nazista, como “O Triunfo da Vontade” e “Olympia”) entre as cineastas mencionadas no cartaz do Festival de Cinema de Nova York de 1973: “As feministas sentiriam uma pontada [de insegurança] ao sacrificar o nome de uma mulher que dirigiu filmes tidos por excelentes. Mas o ímpeto da mudança de atitude em relação a Riefenstahl deve-se à renovada sorte da ideia de beleza”.

Sontag refere-se à miopia moral de determinados movimentos sociais que, ao tentar levantar uma bandeira de inclusão a todo custo, acabam dissociando uma obr-a de sua mensagem original. No caso em tela, não seria a representação do belo em si que estaria em jogo, mas o questionamento sobre o belo a serviço de uma ideologia responsável pelo extermínio em massa de judeus e outras minorias.

Apesar desse puxão de orelha, Sontag também escreveu uma série de ensaios de mensagem feminista, como “The Third World of Women” (O terceiro mundo das mulheres), “The Double Standard of Aging” (O duplo padrão de envelhecimento) e “A Woman’s Beauty: Put Down or Power Source” (A beleza de uma mulher: fraqueza ou fonte de poder), todos reunidos no primeiro volume de seus ensaios completos, editado por seu filho, o escritor David Rieff, para a coleção Library of America.

Seus textos mais importantes, todavia, analisam uma porção de outras questões cruciais para a compreensão da contemporaneidade. As mensagens sobre a cultura popular em “Notas sobre Camp” e “Sobre Fotografia”, por exemplo, permanecem ótimas fontes de inspiração para leitores interessados em saber como as expressões da contracultura gay se tornaram convencionais, ou como a antiga concepção de autorretrato foi transformada pelo fenômeno da selfie.

Nesse diapasão, embora o livro de Michelle Dean não traga informações exaustivas sobre as suas personagens, ele serve como ótima introdução à vida e à obra de algumas mulheres que, escrevendo em publicações como Partisan Review, The New Yorker e The New York Review of Books, contribuíram para firmar a cultura das revistas literárias norte-americanas. Também serve como crítica à visão deturpada de que a contribuição de mulheres intelectuais estaria presa à expressão de suas experiências vividas: ninguém deve sentir-se obrigada a escrever sobre gênero e feminismo pelo simples fato de ser mulher.

Outra crítica implícita no livro é a de que nem sempre o conceito de sororidade se aplica aos relacionamentos entre mulheres. “Sharp” traz histórias de amizade, cooperação e —principalmente— de rivalidade entre as personagens.

Por outro lado, vale evidenciar a escassa referência a autoras negras entre as personalidades destacadas por Dean. Ela dedica apenas algumas poucas páginas à trajetória da escritora e antropóloga Zora Neale Hurston, autora do romance “Seus Olhos Viam Deus” (Record).

Se um dos principais critérios para escolher as personagens de “Sharp” foi introduzir o leitor na obra de escritoras que se mantiveram ativas durante toda a vida, por que não aproveitar a oportunidade para apresentar ao público uma multidão de vozes a serem ouvidas?

Juliana de Albuquerque é doutoranda em filosofia e literatura alemã pela Universidade de Cork (Irlanda) e mestre em filosofia pela Universidade de Tel Aviv (Israel).

Ilustríssima/FSP 12.08.2018

Podcast – Banal ou radical: como podemos pensar o mal? | Deutschlandfunk Kultur

12 de agosto de 2018

Bettina-StangnethA filósofa Bettina Stangneth (autora do livro “Eichmann vor Jerusalem” – “Eichmann antes de Jerusalém”, em tradução livre), que estuda a filosofia política de Hannah Arendt, analisa, nesta entrevista para a Deutschlandfunk Kutur, o tema da liberdade como perigo. Em seu novo livro, intitulado “Böses Denken” (“Pensamento mal”, em tradução livre), a filósofa alerta sobre o problema do pensar hoje. Baseada em Immanuel Kant e Hannah Arendt, ela entende que o pensamento livre pode definitivamente significar o mal.

Até aqui assumiu-se uma conexão otimista entre o pensamento e a moralidade: quem pensa, assim espera-se, não mata. No mais tardar do século 20, no entanto, o mal não aparece mais como fruto de atos impensados de criminosos; muito ao contrário, ele seduz fazendo uso de argumentos conclusivos.

Para acessar a entrevista, clique aqui. Áudio em alemão.

 

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