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Laura Mascaro: Hannah Arendt Ideias Que Chocaram o Mundo (Cine Tapera apresenta)

14 de outubro de 2018

Em 07 de agosto passado, a Tapera exibiu o filme “Hannah Arendt – Ideias que Chocaram o Mundo” (Alemanha/Luxemburgo/França/Israel, 2013) em sessão gratuita seguida de debate com a pesquisadora Dra. Laura Mascaro, do Centro de Estudos Hannah Arendt.

A discussão a partir das reflexões de Laura Mascaro buscou atualizar as ideias e teorias arendtianas sobre o totalitarismo, ideologia e a banalidade do mal, pensando esses conceitos em vista das dinâmicas político-sociais brasileiras.

Feliz Dia da Criança! O diário da infância de Hannah Arendt

12 de outubro de 2018

“Janeiro, 1914: Duros e tristes anos aqueles que estão para trás. A criança vê e vive a terrível mudança que a doença provoca em seu pai. ela se mostra bondosa e paciente com ele, o fez jogar cartas por todo verão de 1911, não admite que eu fale duramente com ele, ainda que desejando que ele não estivesse lá. Ela ora por ele pela manhã e à noite sem que lhe tenhamos ensinado tal.”

Após uma longa agonia, Paul Arendt, pai de Hannah Arendt, vem a óbito em outubro de 1913 – Hannah tinha apenas 7 anos. Sua mãe, Martha Cohn, registra em seu caderno: “Ela considera que é triste para mim, mas ela mesma não está afetada. Ela me diz: você sabe, mamãe, isto acontece a muitas mulheres”.

Ela é uma garota engraçada, “sempre desperta”, interessada em “tudo que acontece ao seu redor”. As bonecas não lhe dizem nada, “apenas livros ilustrados e histórias a agradam”. Ela é “perpetuamente gaia e alegre, um verdadeiro raio de sol”. Ela não parece possuir qualquer dom artístico, “não mais do que a habilidade manual”. Mas ela “canta muito, com paixão e completamente errado. Ela conhece as letras de muitas músicas e reconhece uma assim que é assobiada. Ela também tem ritmo, mas é incapaz de articular a melodia”. Desde outubro de 1910, ela “freqüenta um jardim de infância, que inspira muitas brincadeiras em casa, porém onde ela exerce sempre o papel de professora”. Em novembro, ela teve sarampo, mas sem espinhas. “Então, um resfriado e, no Natal, sérios distúrbios estomacais acompanhados por uma febre alta. Depois disso, ela não teve nada “.

Trechos do diário de Martha Cohn, “Nossa criança”, no qual ela, e às vezes Paul Arendt, relataram a infância de Hannah Arendt.

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A pequena Hannah Arendt

Historiador alerta para as sombras do nazismo | Estadão

27 de agosto de 2018

O britânico Richard J. Evans, autor de “Terceiro Reich: na Memória e na História”, diz que a ideologia de Hitler sobrevive no mundo

Elias Thomé Saliba*, Especial para O Estado

Richard J. Evans foi um dos raros historiadores a atuar como perito no longo contencioso judicial do negacionista David Irving contra Debora Liptstad. E mais raro ainda, a virar personagem de filme, o longa Negação, de 2016 – que narrou a dramática história do mesmo julgamento. Lembre-se que em Telling Lies About Hitler, de 2002, Evans, além de expor detalhes de sua crítica documental, já havia desdramatizado o julgamento. Nada a estranhar, portanto, que, revelando amplo domínio da incomensurável produção sobre a Alemanha de Hitler, o historiador mostre, em Terceiro Reich na História e na Memória, como hoje é quase impossível escrever tal história sem examinar as formas como o nazismo sobreviveu aos tortuosos caminhos da memória coletiva.

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Richard Evans. Foto: Editora Crítica

Em julho de 1932, os alemães inauguraram a estátua de um enorme elefante estilizado, em Bremen, celebrando as conquistas do colonialismo no Sudoeste africano e exigindo o restabelecimento das colônias perdidas após a 1ª. Guerra. O monumento obscurecia a história mais perversa do domínio alemão na Namíbia. Foi lá que o bacteriologista Robert Koch não teve obstáculos legais para injetar em cerca de mil africanos, que padeciam da doença do sono, doses diárias altíssimas de arsênico. Apenas um pouquíssimo conhecido exemplo daquilo que o regime colonial alemão perpetrou, eliminando mais da metade da população de hereros e namas, entre 1904 e 1907. Outros regimes coloniais não foram menos brutais do que o alemão – como o jugo belga no Congo, o dos franceses na Argélia ou dos italianos na Etiópia – pois também se utilizaram da expropriação, submissão a trabalhos forçados ou assassinatos em massa. Mas foi na Namíbia que os alemães experimentaram pela primeira vez (na linguagem e na realidade) os “campos de concentração”. Seria um projeto do horrendo genocídio (a palavra não era utilizada na época) que viria décadas depois?

Evans não vai na onda de nenhuma generalização e afirma que embora o colonialismo alemão tenha sido mais sistematicamente racista em conceito e mais brutal em operação que outros colonialismos, os campos de concentração na África do Sudoeste alemã não eram como Treblinka, cujo propósito único foi extinguir os judeus, os ciganos e quaisquer outros “forasteiros étnicos”.

Documentação inédita, mencionada pelo historiador em outros estudos, comprova que a abrangente escala europeia e global das intenções nazistas em relação aos judeus foi o que diferenciou o genocídio do Holocausto de outros extermínios em massa. Evans subscreve o veredicto de outro historiador do nazismo, Ian Kershaw: “O caminho para Auschwitz foi construído pelo ódio, mas pavimentado pela indiferença.” De qualquer forma, o incômodo Elefante continua lá, numa praça de Bremen.

Evans documenta, ainda, como grandes empresas industriais que se envolveram nos crimes do nazismo tentaram, após a guerra, abafar, manipular ou apagar a memória de sua participação. Há operações de esquecimento que resultaram, até certo ponto, pitorescas, como a das associações do KdF-Wagen, “carro da Força e da Alegria” (depois conhecido como Fusca) ao nazismo: todas foram esquecidas, numa lavagem a jato da memória, que atribuiu todas as suas origens ao gênio individual de Ferdinand Porsche. Mas há livros, escritos por historiadores, que também incentivam o esquecimento seletivo, como aqueles que perpetraram uma espécie de história oficial celebratória sobre a Krupp, maquiando o lado sombrio das estreitas associações da empresa com o nazismo, que usou, por exemplo, mão-de-obra escrava na fabricação de armamentos.

Evans tem ojeriza a truques retóricos. Quase sempre vai direto ao ponto. Comprova que até mesmo a frase “Quando ouço a palavra cultura, saco meu revólver” – que resumia a atitude nazista em relação às artes – é apócrifa e erroneamente atribuída a Goering. Originalmente ela fazia parte da peça Schlageter – um drama cheio de patriotadas no qual o personagem principal exclamava: “Quando ouço cultura, libero a trava de segurança da minha Browning!”

Um dos ensaios reveladores é aquele que analisa as “deportações, expulsões e migrações forçadas” – durante, mas sobretudo após a guerra – o que, pela força das narrativas unilaterais de cada país, acabou fomentando um apagamento ainda maior. Compreendidas de forma mais global, tais “migrações forçadas” levaram à morte de quase meio milhão de pessoas. É vital recuperar tal história, já que ela questiona a difundida compreensão da 2ª. Guerra como uma luta dos completamente bons e benévolos aliados contra o maligno nazismo e a maléfica agressão alemã. Raras as vozes que, já no pós-guerra, denunciaram tais crimes, perpetrados tanto pelos aliados quanto pelos russos.

Difícil escolher entre os 28 pequenos ensaios, todos eles tratando de temas polêmicos da vasta bibliografia referente ao nazismo. Alguns talvez sejam mais atraentes para o leitor, como os que abordam a figura de Hitler, que se tornou, afinal, um imã memorialístico poderoso de tantas teorias conspiratórias e patologias paranoicas. Hitler era doente? A idéia da insanidade de Hitler foi algo no qual os alemães acabaram acreditando durante os últimos estágios da guerra e, por muito tempo depois – como que para se eximirem da responsabilidade pelas ações do Füher. Esta narrativa foi alimentada pelo relatório do psicanalista Walter Langer sobre “a mente de Hitler”, escrito em 1943, sob encomenda do serviço secreto americano, o qual forneceu munição para inúmeras especulações. E, apesar da recente revelação de que uma parte do crânio do ditador, secretamente preservado pelos soviéticos, conter a marca da bala e a mandíbula – o que só foi descrito por Jean-Chrisphophe Brisard e Lana Parschina, no recém-lançado A Morte de Hitler – a resposta de Evans é um retumbante “não”: Hitler não era doente (e nem doente mental). “Se as suas ações e convicções foram racionais é outra questão, pois, irracionalidade e loucura não são a mesma coisa” – conclui o historiador.

* É professor titular da USP e autor de ‘Crocodilos, Satíricos e Humoristas’ 

 

Somos todos torturadores inofensivos nas redes sociais, dizem psicólogos | Folha de S. Paulo*

22 de agosto de 2018

Paul Bloom / Matthew Jordan, para o The New York Times

Pesquisadores mostram que comportamentos individuais podem ser inofensivos quando aparecem de forma isolada, mas muito perigosos quando repetidos por diversas pessoas. A reflexão se aplica especialmente ao caso de linchamentos nas redes sociais.

Há um botão na sua frente; se você girá-lo, um estranho que está sentindo uma dor tolerável causada por um choque vai receber uma voltagem mais forte, mas tão leve que nem ele mesmo vai perceber. Você gira o botão e vai embora. Só que centenas de pessoas passam por ali e fazem a mesma coisa, até que a vítima começa a gritar de agonia.

Derek Parfit

Derek Parfit

Você fez alguma coisa errada? Derek Parfit, o influente filósofo britânico que morreu em janeiro de 2017, definiu esse caso como o do “Torturador Inofensivo”. A princípio, ele pensou num cenário mais simples, no qual mil torturadores girariam o botão mil vezes cada um em suas próprias vítimas. Obviamente, isso é terrível.

Então Parfit explora um outro caso, em que cada um dos mil torturadores gira o botão mil vezes, só que, a cada volta, eletrocutando uma das mil vítimas diferentes. O resultado é o mesmo: mil pessoas em agonia. No entanto, moralmente, a impressão é diversa, já que ninguém, de modo individual, causou mal real a um indivíduo específico.

Esse parece o tipo de exemplo técnico bem bolado que os filósofos adoram —entre outras coisas, é um desafio a uma visão utilitarista que analisa a incorreção de um ato apenas por suas consequências—, mas sem relevância no mundo real.

Só que o mundo mudou desde que Parfit publicou esse cenário, em 1986. Hoje, em 2018, os dois autores deste artigo são Torturadores Inofensivos, e você —independentemente da posição que você assuma diante de qualquer questão específica— provavelmente também é.

Esse enredo de Parfit se repete a todo momento nas redes sociais. Alguém escreve algo ruim sobre você no Facebook; dependendo da relação que tiver com tal pessoa, você pode chegar a se magoar pessoalmente ou não, mas, como ninguém percebe, não é lá grande coisa. Porém, se no dia seguinte houver mil curtidas e inúmeros comentários irônicos, é bem provável que você fique arrasado. Embora cada um dos comentários em particular tenha causado pouca ou nenhuma mágoa, o efeito agregado é muito mais grave.

No livro “So You’ve Been Publicly Shamed” [Então você foi humilhado em público], de 2015, Jon Ronson explorou os efeitos do linchamento digital, incluindo a história de uma mulher cujo tuíte irônico sobre o privilégio dos brancos deu muito errado, gerando dezenas de milhares de respostas enfurecidas, levando-a a perder o emprego e ter que se esconder.

Desde então, a turba tem andado ocupada: sua atenção se voltou para um dentista que matou um leão, uma série de mulheres brancas que, sem motivo aparente, chamaram a polícia por causa de negros, uma professora esquerdista que pediu a amigos que expulsassem um jornalista de um protesto e vários outros.

Quando pensamos na selvageria das redes sociais, em geral temos em mente um comportamento individual péssimo: ameaças de morte e de estupro, divulgação de informações pessoais, inclusive endereços e locais frequentados pelos filhos das vítimas ou mentiras maldosas, por exemplo. O Torturador Inofensivo, contudo, nunca vai tão longe. Ele apenas curte, retuíta e acrescenta aquele comentário inteligente ocasional. O problema é que somos milhões, todos girando o botão.

Parfit não nos diz, em momento algum, qual é a motivação dos torturadores de seu experimento mental, mas há diversas considerações no dia a dia. Afinal, somos animais morais. Há inúmeras evidências em estudos de laboratório e na vida real de que queremos ver os agentes imorais recebendo o castigo merecido. Isso está baseado na lógica evolucionista: se não estivéssemos sempre dispostos a punir ou excluir os malvados, não haveria ônus nenhum em ser bandido, e as sociedades cooperativas não decolariam.

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Against Empathy, livro do professor de psicologia Paul Bloom

Há também uma espécie de crédito social que acompanha o fato de ser visto como punidor moralista: queremos mostrar aos outros que somos bons, exibir nossa virtude. Quando alguém está olhando, é maior a tendência de agirmos como punidores, e há provas de que terceiros têm em mais alta conta —e mais chances de depois considerar de confiança— quem pune os bandidos, e não aqueles que ficam parados sem fazer nada.

No mundo real, é complicado desassociar as motivações morais das sociais. Na coluna The Stone, do New York Times, o filósofo Bryan W. van Norden escreveu: “Como a maioria dos americanos, vibrei espontaneamente quando vi o nacionalista branco Richard Spencer tomando um soco durante uma entrevista”. É difícil dizer em que medida a afirmação retrata prazer genuíno por um racista ter recebido o que merece e em que medida reflete o desejo de ser visto como antirracista para o público aplaudir.

Se a motivação consciente de nossa reprovação é explícita, a ideia de fazer nossa vítima sofrer talvez nunca nos ocorra. E a facilidade com que expressamos indignação moral online —na maioria das vezes sem qualquer repercussão no mundo real— torna essa condenação muito mais fácil. Como escreveu Molly Crockett, nossa colega de Yale: “Se a revolta moral é o incêndio, então a internet é gasolina?”.

Há também um sistema de recompensa construído em cima do constrangimento online. Em artigo publicado no site Quillette, “I Was the Mob Until the Mob Came for Me” [Eu era a turba até a turba vir atrás de mim], um autoproclamado ex-justiceiro social, sob o pseudônimo Barrett Wilson, descreveu a empolgação que sentia nos tempos de execração cibernética: “Toda vez que eu chamava alguém de racista ou sexista, a adrenalina subia. E a sensação se reafirmava e se sustentava a cada estrelinha, corações e joinhas que constituem as esmolas da validação das redes sociais”.

Mas causar morte com milhares de facadas não é uma coisa boa? Se fosse Hitler, não seria certo fazê-lo passar por isso? Sim, mas o problema é que, quando estamos cheios de indignação moral, agindo como parte da massa num mundo virtual sem nenhum sistema fixo de avaliação, lei ou justiça, todos os inimigos viram Hitler. É muito fácil haver, como diz Ronson, “uma dissociação entre a gravidade do crime e a selvageria eufórica da punição”.

Claro que o constrangimento público pode ter efeitos positivos. Às vezes a massa ensandecida acerta. Entretanto, da mesma forma, os Torturadores Inofensivos podem facilmente atingir os fracos e indefesos; o ataque pode se basear em mentiras e confusões ou ser encorajado pela ignorância de celebridades e políticos —incluindo e destacando o atual presidente [dos EUA].

O efeito do Torturador Inofensivo não se limita às redes sociais; podemos ver também as consequências da agregação quando se trata de ações individuais de maior impacto. Curtidas e retuítes têm uma semelhança estrutural com a execução por apedrejamento, sobretudo se o público é grande: é difícil ver a vítima e ninguém tem boa pontaria. Rejeição social é outro caso, uma tortura pelo acúmulo de omissões —indivíduos evitando contato com determinada pessoa—, e não por ações.

O escritor Julian Sanchez, membro do libertário Instituto Cato, usou o exemplo de Parfit em uma discussão sobre comportamentos como assobiar para uma mulher ou usar linguajar ofensivo de brincadeira. Ele observa que a reação típica à crítica dessas atitudes é a negação —muitos acham que não há má intenção nessas ações e que ninguém se machuca com elas. Mas, mesmo que seja válido para condutas individuais, a situação muda quando a consideramos em termos agregados, repetindo-se vezes sem conta, milhares de vezes por milhares de pessoas —e aí o impacto se torna óbvio.

É difícil mudar os tipos de comportamento que Sanchez aborda, e talvez mais difícil até fazer as pessoas repensarem o linchamento online, já que a sensação é muito boa quando achamos que estamos do lado certo. Nossa mente evoluiu para levar em consideração os efeitos de nossas ações individuais; é difícil pensar nos efeitos agregados. Mas a lição que fica do Torturador Inofensivo de Parfit é que, se queremos ser pessoas decentes, devemos tentar.

*Texto publicado originalmente no jornal The New York Times.

Paul Bloom é professor de psicologia de Yale e autor de “Against Empathy: The Case for Rational Compassion” (contra a empatia: por uma compaixão racional).

Matthew Jordan é aluno de psicologia de Yale.

Ilustrissima / Folha de S. Paulo, 17.08.2018

Movie: “I am (not) a monster” |Nelly Ben Hayoun Studios

20 de agosto de 2018

I am (not) a Monster is a multi platform project which aims to unravel one of the biggest questions of our age: who controls what we think?

35934597_190411258291116_228950902524870656_nI am (not) a monster is a multi-platform project (feature-length film, short films, events, musical record, and exhibition) demonstrating the state  of ideologies – their origins, formulation and power structures – in contemporary society. It investigates the means by which knowledge is interwoven with the idea of cultural heritage  while  current  development  in  AI  suggests  a  global  notion  of  ‘collectiveness’.  Trained  by  Noh theatre,  Kabuki  experts  and  Sumotoris  in  Japan,  with  Bunraku  puppets  in  hand,  Nelly  Ben  Hayoun reenacts and questions the writings of political theorist Hannah Arendt while talking to the world’s most influential thinkers accompanied by Japanese monsters known as Yokais. On her dynamic journey from Ethiopia and Egypt to Japan, Germany, Netherlands, Italy, and the UK, she also engages with families, students of alternative educative structures and Hannah Arendt’s students. Together, they try to answer one of the greatest questions of our age: who owns knowledge and the act of thinking?

Featuring Prof. Noam Chomsky, Prof. Arjun Appadurai, Nadezhda Andreyevna Tolokonnikova of Pussy Riot, Hannah Arendt’s students: Richard J. Bernstein, and more.

For release in March 2019

Director of Photography: Fiona Braillon

Executive Producers: Christo Hird at Dartmouth Films and Nelly Ben Hayoun at Nelly Ben Hayoun Studios

Assistant Producer: Monika Baran

Project Manager: Chloe McClellan

Producer Assistant: Marie Otsuka

Editor: David Potter

Directed by Nelly Ben Hayoun;

R&D phase coproduced by Z33 House for Contemporary Arts, MU Eindhoven and Nelly Ben Hayoun Studios

Website: iamnotamonster.world

Hannah Arendt im Gespräch mit Joachim Fest

19 de agosto de 2018

 

Eine Rundfunksendung aus dem Jahr 1964
Herausgegeben von Ursula Ludz und Thomas Wild

Joachim Fest: Frau Arendt, glauben Sie, dass irgendein Zusammenhang besteht zwischen dem Eichmann-Prozess und den sogenannten KZ-Prozessen in Deutschland1, und vor allem: sind die Reaktionen in Deutschland und in Israel in irgendeiner Weise vergleichbar? Man hat ja gelegentlich davon gesprochen, dass Deutsche und Juden gemeinsam hätten, was man mit einem wenig glücklichen Ausdruck die sogenannte unbewältigte Vergangenheit nennt.

Hannah Arendt: Also dies sind ja zwei Fragen. Darf ich erst mal das erste beantworten: Ich bin der Meinung, dass der Eichmann-Prozess wirklich als ein Katalysator für die Prozesse in Deutschland gewirkt hat. Einige davon sind früher gewesen, einige Verhaftungen haben früher stattgefunden. Nun, wenn Sie sich das mal statistisch ansehen und das Datum von Eichmanns Entführung2, nicht vom Eichmann-Prozess natürlich, im Kopf haben, dann werden Sie überwältigt sein, rein prozentual. Und ich will mich jetzt hier nicht darüber äußern, warum wohl das so gewesen ist – es ist eine einfache Tatsache.3
Nun, Sie sagen mit Recht, die Frage der unbewältigten Vergangenheit hätten die Juden und die Deutschen gemeinsam. Ich möchte das etwas einschränken. Erstens ist natürlich die Art und Weise der unbewältigten Vergangenheit, die man gemeinsam hat, sehr verschieden zwischen Opfern und Tätern; denn auch die Judenräte sind natürlich Opfer. Sie sind deshalb noch nicht hundertprozentig entschuldigt, aber selbstverständlich stehen sie auf der anderen Seite, das ist ja offenbar.

Nun, die unbewältigte Vergangenheit außerdem ist irgendetwas, was – ich weiß das aus Amerika –  Juden und Deutsche eigentlich mit fast allen Ländern oder allen Völkern der Erde teilen, jedenfalls in Europa und in Amerika. Das Entsetzen selber, das aus diesen ganzen Dingen hervorgeht, geht alle an, und nicht nur Juden und Deutsche. Juden und Deutsche haben gemeinsam, dass sie die unmittelbar Beteiligten sind.

Und nun fragen Sie: „Ist diese Reaktion dieselbe in Deutschland und Israel?“ Sehen Sie, ein Viertel der israelischen Bevölkerung, 25 Prozent, besteht aus unmittelbar Betroffenen. Das ist ein enormer Prozentsatz in einer Bevölkerung. Dass die selbstverständlich jetzt als Opfer anders reagieren als der durchschnittliche Deutsche gleich welcher Generation, der nur einen Wunsch hat, davon nie wieder was zu hören, ist ja klar. Auch die wollen nicht mehr davon hören; aber aus ganz anderen Gründen.

Jetzt gibt es eine Sache, die mir aufgefallen ist, und das ist die Einstellung der Jugend in Israel und der im Lande Geborenen. Und da gibt es ein Desinteressement, das dem Desinteressement in Deutschland irgendwie gleich gelagert ist. Sie haben auch die Vorstellung: Das sind die Probleme unserer Eltern … Nur jetzt anders natürlich: „Wenn unsere Eltern wünschen, dass das und das geschieht – also dann natürlich! Bitteschön! Aber man soll uns doch bitte sehr … Wir sind nicht sehr interessiert daran.“ Das war ganz allgemein. Also es ist ein Generationenproblem wie in Deutschland.

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Crítica: “O Caso do Homem Errado” é um filme necessário por sua terrível atualidade | Folha de São Paulo

16 de agosto de 2018

Assunto do documentário é o genocídio negro que continua em curso

por LÚCIA MONTEIRO, para a Folha de São Paulo

Uma mulher caminha pela capital gaúcha exibindo um cartaz. Nele, vê-se a fotografia de um homem negro ferido na boca, sob os dizeres “Até quando?”. Assim começa “O Caso do Homem Errado”, filme de Camila de Moraes.

A história contada pelo documentário (trailer ao final do texto) começa em 14 de maio de 1987. Durante um assalto a um supermercado de Porto Alegre, com duas crianças feitas reféns, uma multidão se forma. Um dos que param para ver o tumulto é Júlio César, o operário cuja imagem aparece estampada no cartaz.

Ele tem um ataque epilético, cai no chão e, confundido com um assaltante, é colocado no fusca da Polícia Militar. Chega morto ao hospital, com um tiro no peito.

Fotógrafo do jornal Zero Hora, Ronaldo Bernardi fez imagens de Júlio César sentado na viatura da polícia, algemado, e no IML, já sem vida. Publicadas no dia seguinte, elas se tornaram imediatamente prova da execução praticada pelos policiais. E que tinha como alvo de predileção jovens negros e pobres.

Esteticamente sóbrio, o documentário reconstitui a história de Júlio César e do julgamento que se seguiu atendo-se a entrevistas com pessoas próximas à vítima, jornalistas e defensores dos direitos humanos. Nesse sentido, trata-se de um filme militante, que não pondera com “o outro lado”.

São emocionantes e desoladores os depoimentos do fotojornalista Ronaldo Bernardi e do ex-procurador Luiz Francisco Correa Barbosa — ambos se envolveram pessoalmente na investigação desse crime.

O caso se tornou célebre no Rio Grande do Sul, sobretudo pelo fato de Júlio César ser um trabalhador — e por isso chamado de “o homem errado”. Os entrevistados ouvidos no filme questionam, no entanto, o título. Afinal, haveria um homem certo, que merecesse ser executado sem julgamento nem direito à palavra?

De lá para cá, infelizmente não é possível comemorar a diminuição da violência policial nem da seletividade racista de seus alvos.

O assunto do filme, no fim, é o genocídio negro que continua em curso. Empreitada de duas cineastas negras —a produtora Mariani Ferreira assina o roteiro ao lado da diretora, Camila de Moraes— “O Caso do Homem Errado” é um filme necessário por sua terrível atualidade.

O CASO DO HOMEM ERRADO
Quando Em cartaz
Classificação 10 anos
Produção Brasil, 2017
Direção Camila Lopes de Moraes

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