Pular para o conteúdo

«Walter Benjamin está morto» // Participe da campanha da Sobinfluência Edições

20 de setembro de 2020

A Sobinfluência Edições está com um projeto para publicação de um livro com 16 textos de Walter Benjamin, todos inéditos em português.

Ainda dá tempo de participar da campanha de financiamento coletivo e garantir uma dessas recompensas incríveis.

Defenda o livro. Apoie as editoras independentes. Hoje, mais do que nunca, isto é uma ação política imprescindível.

>>>https://benfeitoria.com/walterbenjaminestamorto

O paradoxo da opinião

6 de setembro de 2020

Por Cláudia Perrone-Moisés e Ludmyla Franca-Lipke

Hannah Arendt foi de encontro à tradição da filosofia ao mostrar a importância da opinião nos assuntos humanos. Uma vez que, para ela, a opinião faz parte da política: “A antiga e aparentemente obsoleta questão da verdade versus opinião vale a pena ser reaberta”. (Verdade e Política, p. 283). Para Arendt, é a opinião que sustenta o poder e não a verdade: “A persuasão não vem da verdade, mas da opinião” (Verdade e Política, p.320). Para Arendt, a discussão das opiniões é a condição para que uma realidade possa se manifestar aos homens, gerando, assim, um “mundo comum”. O espaço político é, em última instância, criado por essa troca de opiniões. Apoiada na tradição socrática Arendt lembra que cada pessoa tem sua doxa (opinião, glória e fama) e o importante é que cada doxa possa se revelar para si e para os outros na esfera pública. Essa revelação de nossas opiniões uns aos outros depende, para Arendt, do pensamento e é fundamental para que formemos nosso juízo. Essa é uma das razões pelas quais ela sustenta que a pluralidade é a lei da terra (Filosofia e Política, p. 101).

No último dia 30 de agosto, em Paris, na manifestação de centenas de pessoas contra o uso obrigatório de máscaras, lia-se em um cartaz a seguinte citação de Arendt: “quando todo mundo mente permanentemente o resultado não se traduz na crença na mentira, mas sim no fato de que todos passem a não acreditar em mais nada. Um povo que não pode acreditar em mais nada não pode formular uma opinião. Ele é, então, não somente privado da capacidade de agir, mas também da capacidade de pensar e julgar. E com um povo nessa situação, você pode fazer o que quiser.”

Esse acontecimento foi analisado por Géraldine Mosna-Savoye no Carnet de philo do podcast da France Culture. Nele é dito, com razão, que a estranheza da utilização da citação não vem somente do fato de que ela é longa demais para uma manifestação ou por ela ser parte de uma entrevista dada por Arendt e retirada de seu contexto. A utilização de frases soltas de Arendt, sem qualquer apoio no conhecimento mais profundo da obra, se tornou prática nos últimos anos, em que seu pensamento vem sendo explorado e banalizado de todas as formas que se possa imaginar, para ilustrar afirmações das mais variadas espécies. A utilização de citação tão longa em uma manifestação, por outro lado, é um acontecimento interessante.

Mas a verdadeira estranheza desse acontecimento é produzida, como bem dito na matéria, pelo fato de que com essa citação se afirma o desaparecimento da opinião justamente para sustentar uma opinião: a de que existiria “um complô das empresas farmacêuticas para impor uma ditadura médica mundial”. Este evento coloca em evidência a contradição que vivemos, a verdadeira questão por trás do fenômeno: o que parece ocorrer no mundo de hoje é que só existem opiniões e a verdade que é construída pela ciência, pode ser considerada uma mentira. Não devemos esquecer que Arendt também alertava para os perigos da conversão dos fatos em opinião, ao defender o estatuto da verdade factual como condição pré-política. Como bem disse Arendt: “a persuasão e a violência podem destruir a verdade, mas não a substituem”.

Um dos aspectos para os quais Arendt chama atenção em suas considerações sobre a mentira na política é a confusão dos conceitos de realidade e verdade. A realidade é interpretável, maleável, ao passo que a verdade não o é. Ao falarmos em verdade, portanto, estamos, segundo Arendt, buscando salvaguardar os fatos dos perigos das construções de realidades baseadas em substituição dos fatos por fantasias, mentiras e ilusões. Segundo Arendt “o apagamento da linha divisória entre a verdade factual e a opinião é uma das formas que a mentira pode assumir” (Verdade e Política, p. 309). A mentira na política é uma forma de destruir a verdade, não uma questão de simplesmente escondê-la, pois ela visa substitui-la ao moldar a realidade para encaixá-la em crenças. A veracidade dos fatos é aniquilada e os indivíduos ficam à mercê do auto-engano, da mentira e da estupidez, embotados pela “verdade ideológica” de um grupo ou de um líder. Como lembra Arendt, “o que impede histórias, imagens e pseudofatos de se tornarem um substituto adequado para a realidade e a factualidade?”(Verdade e Política, p. 313). Assim, ao negar a ciência, ao distorcer fatos e criar conspirações, o que se pretende é destruir a verdade e inserir os sujeitos numa realidade paralela na qual suas crenças e medos se confirmam. É neste turbilhão de mentiras e fantasias, criadas na esteira das ideologias, que as frases de Arendt são, muitas vezes, deturpadas e descontextualizadas para satisfazer a ignorância de alguns.

 ***

Em meio às trevas: a força da promessa de Hannah Arendt | Cláudia Perrone-Moisés

12 de julho de 2020

Hannah Arendt foi uma pensadora que viveu em tempos de trevas. Durante a 2ª Guerra Mundial foi perseguida (por ser judia na Alemanha e alemã na França), presa, internada em campo de concentração, refugiada e, quando chegou aos EUA, se tornou apátrida e desempregada, isto é, duas condições extremamente difíceis. Mas ela nunca se deixou abater. Ao contrário, usou a sua experiência viva para refletir acerca dos maiores desafios do século XX, produzindo uma das obras mais importantes desse século, o que já seria suficiente para consagrá-la, mas, foi além: alcançou a imortalidade, no sentido da tradição grega que ela analisa em A Condição Humana: “Imortalidade significa continuidade no tempo, vida sem morte nesta Terra e neste mundo”. Sua obra ecoa no século XXI com uma vitalidade e uma pertinência que impressionam a todos. Uma citação de Tocqueville, lembrada por Arendt, faz uma afirmação que hoje soa bastante atual: “Desde que o passado deixou de lançar sua luz sobre o futuro a mente do homem vagueia nas trevas”. (Entre o passado e o futuro)

Arendt

Hannah Arendt

Arendt é uma pensadora do presente. Sua proposta consiste na difícil tarefa de refletir acerca do presente sem qualquer apoio no passado, o que ela denominou de “pensar sem corrimões”. Citando René Char, um de seus poetas favoritos, ela diz: “nossa herança nos foi deixada sem nenhum testamento”. Ou seja, se não temos como nos guiar pelo passado e não há uma bula para o presente, como continuar pensando e agindo? Estamos sentindo hoje, de forma intensa, o que Arendt chamou de “quebra entre o passado e o futuro”: “um intervalo de tempo totalmente determinado por coisas que não são mais e por coisas que ainda não são”. Na história, segue Arendt “esses intervalos mais de uma vez mostraram poder conter o momento da verdade.” Para Arendt, quando o fio da tradição foi se rompendo, na medida em que a época moderna se desenvolveu, “a lacuna entre o passado e o futuro deixou de ser uma condição peculiar unicamente à atividade do pensamento […] tornou-se realidade tangível e perplexidade para todos, isto é, um fato de importância política.” (Entre o passado e o futuro)

Em Eichmann em Jerusalém: um relato sobre a banalidade do mal, Arendt se recusa a analisar o julgamento do criminoso nazista com base em analogias do passado, já que Eichmann representava um novo tipo de criminoso e demonstrara a existência de um mal que não deixava de ser extremo, mas também poderia ser banal. Tratava-se de um burocrata que, pela “ausência de pensamento” participou ativamente do maior crime contra a humanidade da era moderna sem consciência de que era um grande criminoso. Afinal ele estava cumprindo ordens e era até elogiado por seu “trabalho exemplar”. Arendt não acredita também que o antissemitismo moderno, que levou ao totalitarismo nazista e ao extermínio em massa, pudesse estar inserido na continuidade histórica da milenar “perseguição aos judeus”.  Essa tese é defendida por ela, de forma minuciosa, na primeira parte de Origens do Totalitarismo.

Sentimos que vivemos hoje um momento de ”quebra entre o passado e o futuro” e estamos desnorteados ao presenciar movimentos retrógrados e autoritários similares às  ditaduras e aos totalitarismos do passado. O desafio que Arendt nos coloca consiste em pensar o presente sem recorrer a analogias do passado, como ela fez em seu tempo. Tarefa árdua, mas necessária, pois não avançaremos se não fizermos o mesmo. Para desempenhar essa tarefa a pergunta que fica no ar consiste em saber como evitar a desesperança, já que sabemos o que pode acontecer quando a democracia é vencida pelo autoritarismo. Em a Condição Humana, Arendt nos dá um antídoto para o desespero, que é capaz de gerar novamente a confiança: a promessa.

Como lembra Arendt, “a força estabilizadora inerente à faculdade de prometer sempre foi conhecida em nossa tradição” e se origina de duas fontes: a primeira ela encontra no sistema legal romano que definiu a regra da inviolabilidade dos acordos e tratados (pacta sunt servanda). A formulação inicial – Pax servertur, pacta custodiantur (“o fiel deve ser fiel a sua palavra”) – se encontra no canon Antigonus, pelo qual o primeiro concilio de Cartago (348) pronunciou-se acerca das consequências de uma convenção celebrada entre dois padres, relativa aos limites das dioceses respectivas. Os canonistas medievais criaram então a regra do pacta sunt servanda.  Posteriormente, esse princípio se torna uma virtude cara aos romanos, a confiança ou fides, de onde se origina a fé (boa-fé), a fidelidade, e toda a teoria dos contratos. (Alain Supiot, Homo Juridicus)   

Sacrifício de Abraão - Rembrandt - Água-forte e ponta seca-1655

O Sacrifício de Abraão

A segunda fonte de Arendt é o Velho Testamento (Gênese, 22.16), com Abraão, que segundo ela experimentou “o poder da promessa recíproca até que o próprio Deus, finalmente consentiu em firmar com ele uma Aliança.” No final da cena do sacrifício,  ao confirmar a fé de Abraão, que estaria disposto a prometer sacrificar o único filho, Deus lhe promete, a seu turno, bênçãos e uma imensa descendência.  Na filosofia moderna, é em Nietzsche que Arendt encontra sua base para pensar a promessa. De acordo com Arendt “Nietzsche, com sua extraordinária sensibilidade para os fenômenos morais [..] viu na faculdade de prometer a verdadeira diferença entre a vida animal e a humana”. A promessa é um remédio contra o esquecimento, e seu exercício é capaz de instituir uma memória de um tipo particular. Essa memória é dirigida para o futuro, que Nietzsche chamou de “memória da vontade”.

Como já mencionado, Arendt  lembra que o poder estabilizador da promessa sempre foi conhecido em nossa tradição. O poder de fazer promessas ocupou, ao longo dos séculos, o centro de pensamento político. O mesmo pode ser dito em relação ao pensamento da própria Arendt, pois para ela a força que mantém a pluralidade dos indivíduos unidos no “agir conjunto”, capaz de gerar o poder, é a força da promessa. A promessa é um tema que se relaciona de forma íntima com outros tratados por Arendt ao longo de sua obra: a importância da ação, a pluralidade como lei da terra e a possibilidade de uma comunidade política.

“Sem estarmos obrigados ao cumprimento de promessas, jamais seríamos capazes de conservar nossa identidade: seríamos condenados a errar, desamparados em sem rumo, nas trevas do coração de cada homem, enredados em suas contradições e seus equívocos – trevas que só podem ser dissipadas pela luz derramada no domínio público pela presença dos outros, que confirmam a identidade entre aquele que promete e aquele que cumpre.” (A Condição Humana)

Para Arendt a promessa está inserida e depende necessariamente da pluralidade, pois a promessa feita a si mesmo, na “solitude” (diálogo do eu consigo mesmo, diferente, na concepção arendtiana, da solidão) ou no isolamento, não pode ser real, e só poderia ser entendida como um papel que desempenhamos para nós mesmos. A promessa cria, para os homens, ilhas de previsibilidade e marcos de confiabilidade. De acordo com Arendt, a função da faculdade de prometer consiste em dominar a dupla obscuridade dos assuntos humanos: “a obscuridade do coração humano, ou seja, a inconfiabilidade fundamental dos homens que jamais podem garantir hoje quem serão amanhã, e a (obscuridade que advém da) impossibilidade de se prever as conseqüências de um ato em uma comunidade de iguais onde todos têm a mesma capacidade de agir.” (A Condição Humana)

Na análise do filósofo belga François Ost, Arendt tem como uma de suas preocupações centrais a de entender e encontrar as condições aptas a produzir a confiança entre as pessoas. E ela encontra na promessa um instrumento dinâmico. Uma força é colocada em prática, que engaja o futuro em determinada direção. A durabilidade dos acordos e das instituições é garantida pelo elemento da confiança. Para Arendt, a questão consiste em pensar as condições de uma ação humana conjunta inevitavelmente inovadora, e portanto arriscada, mas que apesar disso, seja aceitável e legítima. (À quoi sert le droit? Usages, fonctions, finalités.)

Lembremos ainda que para Arendt o poder é fundado nas potencialidades da promessa por oposição à violência. A moralidade que decorre da promessa provém da vontade de viver com os outros na modalidade do falar e do agir. Em seu ensaio Da Violência, Arendt define o poder como sendo correspondente à habilidade humana de agir em uníssono, em comum acordo. O que mantém uma comunidade política não é o espaço público nem o poder do agir conjunto, mas sim a promessa do contrato mútuo (Celso Lafer, A reconstrução dos direitos humanos. Um diálogo com Hannah Arendt ).

Em Sobre a Revolução, Arendt afirma que “o poder brota onde quer que as pessoas se unam e atuem de comum acordo, mas obtém sua legitimidade mais do ato inicial de unir-se do que de outras ações que possam surgir.” Tal afirmação remete ao tema da fundação, que é analisado por Arendt, nesta obra, a partir do exemplo da colonização americana.  É a partir da experiência da relação entre os colonos americanos e o sistema legal inglês que a autora faz uma distinção importante entre dois gêneros de contrato social: o primeiro é o contrato mútuo, aquele celebrado entre os cidadãos que compartilham o espaço público comum e que se estabelece através de promessas mútuas baseando-se na reciprocidade e na igualdade, enquanto o segundo é aquele celebrado entre os cidadãos e seus governantes. Neste segundo tipo, que Arendt chama de “ato primitivo fictício” há a aceitação, por parte dos membros da sociedade, da soberania dos governantes cujo poder consiste na soma das forças de cada pessoa.

Partindo da distinção proposta por Arendt a pergunta evidente seria: como considerar válido esse “ato primitivo fictício”, em um país como o Brasil de hoje, no qual o exercício da soberania pelos governantes parece rumar a cada dia em direção a uma ditadura? Nessas condições e seguindo a proposta de Arendt, o fortalecimento do outro tipo de contrato social, o contrato mútuo dos cidadãos parece ser um caminho e é o maior desafio que temos que enfrentar para poder lutar, em igualdade de condições, contra o obscurantismo da ignorância. Nesse particular, devemos lembrar a “força do direito” como um dos instrumentos mais poderosos para enfrentar essas novas “forças das trevas”.

A promessa está no âmago da concepção de Arendt do direito. Para ela, a lex romana conferiu uma extensão formidável à capacidade humana de construir um mundo comum. A evidência, segundo a qual as regras e instituições jurídicas têm por função estabilizar os assuntos e as relações humanas, é lembrada por ela ao longo sua obra. Um sistema jurídico baseado na promessa, no preceito do pacta sunt servanda, constitui um remédio ao caráter imprevisível da ação e as incertezas do curso dos acontecimentos. Para Arendt, se é a promessa que funda a comunidade política é o direito que garante sua durabilidade no mundo dos assuntos humanos. Em Homens em Tempos Sombrios, encontramos a seguinte passagem: “A política refere-se a homens que provêm de muitos países e aos herdeiros de numerosos passados; suas leis são como cercas estabelecidas de forma positiva que delimitam e protegem o espaço no qual a liberdade não é um conceito, mas uma realidade política viva”.

Derrida Foto

Jacques Derrida

Na obra de Jacques Derrida a promessa também tem um papel fundamental, podendo ser encontrada na base de todas suas reflexões políticas, quer seja sobre a democracia, a hospitalidade ou a amizade. A opção dos dois pensadores pela promessa como um tema central de suas reflexões remete ao que Derrida denominou de “messianidade sem messianismo”. Trata-se da necessidade de se acreditar na existência de uma abertura incondicional ao “por vir” (ao futuro), mas rompendo com o conceito tradicional do messianismo como ideia de uma redenção futura ou fim da história. Derrida propõe assim a possibilidade de uma abertura ao “por vir” sem conteúdo previamente determinado, sem horizonte de espera ou prefiguração profética. Sua estrutura está ligada à confiança e contém uma promessa infinita e indeterminada (Voyous).

Para Derrida, a promessa só garante a própria sobrevida e não seu conteúdo. A promessa não é o cálculo do provável: a promessa dá sua palavra responsabilizando-se pelo futuro, o porvir, além de todo o possível. Na verdade, então, a promessa não propõe nem garante nada. É necessário apostar, sem horizonte, sem cálculo, sem conhecer suas condições de realização. A promessa, para Derrida, deve ser ao mesmo tempo finita em seu princípio, pois prometendo indefinitivamente não se promete nada – Pacta et promessa non sunt multiplicanda praeter necessitatem (Princípio da Parcimônia de Occam) – mas quando ela acontece, deve ser incalculável e infinita. (Mémoires. Pour Paul de Man).

Mas como podemos nos engajar na promessa em tais condições? Apesar das incertezas, nós assumimos a responsabilidade que vem da promessa. De acordo com Derrida, a promessa anuncia sempre um devir positivo (“a promessa só pode ser uma benção”). A promessa é também criadora de mundos. Arendt também viu esta capacidade da promessa: “Existe um elemento da capacidade construtora de universos do homem na faculdade humana de fazer e cumprir promessas.” (A Condição Humana). Arendt e Derrida nos lembram que se a promessa tem um valor especial para os seres humanos é porque ela implica na decisão de afirmar nossa responsabilidade perante o mundo e na nossa aptidão a responder pela palavra dada. É um ato ético por excelência. Mas a promessa é também imprevisível, implica sempre em indeterminação e numa aposta na confiança entre os homens. Como Derrida gostava de afirmar, citando Walter Benjamin, que Arendt tanto apreciava, “a todo tempo a promessa deve ser aceita no entreabrir da porta estreita do devir.”

São Paulo, julho de 2020

Notas sobre a tradução brasileira da entrevista de Hannah Arendt a Günter Gaus | por Ludmila Franca-Lipke

8 de julho de 2020

Hoje publicamos no canal do Centro de Estudos Hannah Arendt o vídeo da entrevista completa de Hannah Arendt a Günter Gaus, pela primeira vez com legendas em Língua Portuguesa. Transmitida em 1964 pelo canal alemão ZDF, parte da entrevista foi traduzida para o inglês e publicada na coletânea “Essays in Understanding”, sob o título “What remains: the language remains”. No Brasil, a editora Companhia das Letras publicou a coletânea sob o título “Compreender” e traduziu a entrevista da versão em inglês para o português.

tumblr_o9acu2uLrK1qf8dqdo1_500

“Eu diria que o mais importante para mim é compreender” – Arendt a Gaus, na entrevista de 1964

Trata-se de um registro valioso de Arendt, onde ela fala de sua vida e sobre sua atitude perante os críticos, esclarecendo algumas interpretações erradas em torno do então recém-lançado livro “Eichmann em Jerusalém” (1963). Gravada em setembro de 1964, durante a visita de Arendt à Alemanha Ocidental, o programa foi ao ar em outubro do mesmo ano. A tradução para o português se deu a partir do áudio original da entrevista, e não do registro escrito, o que possibilitou acrescentar informações e trechos que não constam das transcrições em alemão e nem da tradução em inglês. Disso resultaram, além de conteúdo extra, diferentes escolhas em relação ao vocabulário, que se afasta um pouco daquele que foi adotado na tradução contida no livro “Compreender”, publicado no Brasil.

Toda tradução é uma interpretação e tal não seria diferente com nossa versão. Este texto, portanto, tem por finalidade explicar as nossas escolhas e esclarecer alguns aspectos, trazidos por Arendt na entrevista, contextualizando-os para melhor entendimento do conteúdo.

Quem foi Günter Gaus

cdc158f7e79b52f310f9d18c4e2e846bv2_max_390x293_b3535db83dc50e27c1bb1392364c95a2

O jornalista e político Günter Gaus – Archivbild (AP)

Nascido em 1929, Günter Gaus foi jornalista, diplomata e político. Trabalhou na revista “Der Spielgel” e no jornal “Süddeutsche Zeitung”, onde escrevia sobre política. Gaus começou sua carreira jornalística bem cedo, antes mesmo de concluir os estudos em Germanística, na Universidade de Munique. Como redator-chefe da “Der Spiegel”, ele atuou como apoiador da Ostpolitik, uma política de aproximação entre as Alemanhas, à época divididas. Em 10.04.1963, ele ganhou projeção nacional ao estrear pela emissora alemã ZDF o programa de entrevistas “Zur Person”, onde fazia entrevistas com o intuito de retratar grandes personalidades da política, bem como artistas e intelectuais. Seu programa tornou-se um clássico e, apesar de ter terminado em 1965, até hoje conta com reprises na tv alemã. Em 1973, ele foi nomeado Secretário de Estado na Alemanha Ocidental, assumindo a função de Representante da República Federal da Alemanha na República Democrática Alemã, função que desempenhou até 1981, promovendo ações de cunho humanitário nas relações entre as duas Alemanhas. Com sua filiação à SPD, em 1976, ele também atuou como Senador para Ciências e Artes. Com a Reunificação da Alemanha, da qual ele foi severo crítico, por entender que faltava uma “unificação interna”, ele se dedicou ao jornalismo mais voltado à esquerda social-democrata, escrevendo para o jornal “Der Freitag”, que ele ajudou a fundar, e através da revista mensal sobre política “Blätter für deutsche und internationale Politik”.

Gaus faleceu em 2004, estando enterrado no cemitério da Dorotheenstraße, em Berlim. Sua atuação política e jornalística deixaram uma marca indelével na Alemanha, sendo lembrado ainda hoje como grande jornalista pelos seus pares.

Recha Freier, Henrietta Szold e a Alliyah da Juventude

ירושלים_-_רחה_פרייער-JNF011659

Recha Freier

Arendt menciona algumas personalidades da resistência judaica na Alemanha dos anos 1930, que no texto publicado em português não estão citadas. Uma delas é a militante e escritora judia-alemã Recha Freier, responsável por salvar mais de 7.000 crianças e adolescentes antes e durante a Shoá. Filha de judeus ortodoxos, Recha Freier nasceu na Alemanha, em 1892. Confrontada com o antisemitismo já na infância, sendo a única criança judia de sua escola, ela  foi objeto de inúmeras perseguições e humilhações por parte de colegas e professores. Formou-se pedagoga em Munique, tendo atuado como professora de alemão, inglês, francês e piano em escolas renomadas. Mesmo após o início das hostilidades aos judeus e a ascensão de Hitler, corajosamente Freier ficou em Berlim com sua filha, para seguir na resistência, desempenhando seu trabalho de encaminhamento de crianças e adolescentes judeus para a Palestina, enquanto seus filhos e marido foram refugiar-se em Londres. Recha Freier é, juntamente com Eva Michaelis-Stern, fundadora da “Alliyah da Juventude”, organização judaica cujo escopo era o resgate do número máximo possível de crianças e adolescentes judeus da Alemanha, encaminhando-os em segurança para a Palestina. Como nem sempre atuava de forma legal na obtenção dos papeis para autorização de viagem e imigração dos jovens judeus, Freier foi afastada da chefia da associação e juntou-se a sua família em Londres, em 1938. Ao saber dos acontecimentos da Noite dos Cristais, em 1939, Recha Freier retornou imediatamente para a Alemanha, decidida a levar adiante suas atividades. Denunciada por propaganda anti-nazista, em 1940, ela conseguiu fugir a tempo para a Palestina, levando consigo mais 120 crianças judias, que resgatou na morte certa em campos de concentração nazistas. Seguiu atuante no trabalho de suporte e assistência à crianças judias imigrantes em Israel, fundando a “Agricultural Training Centre for Israeli Children”, uma associação para ajudar crianças pobres, o “Israel Composers Fund” e o “Testimonium Scheme”, este último dedicado à Literatura e Música. Recha Freier morreu em 1984, em Israel.

Henrietta_Szold

Henrietta Szold

Personalidade ativa no resgate de judeus da Alemanha Nazista, Henrietta Szold nasceu em Baltimore, em 1860. Assistente social, escritora e pedagoga, Szold é a fundadora da “Hadassah”, a maior organização sionista do mundo. Foi membro da “Vaad Leumi” (a representação oficial dos cidadãos judeus no “Yishuv”, entidade existente antes da fundação do Estado de Israel) e dirigiu a “Alliyah da Juventude” em Jerusalém.

Já no final dos anos 1870, Szold e seu pai eram engajados no acolhimento de judeus do Leste Europeu e da Rússia que chegavam como imigrantes em Baltimore. Com uma atuação marcante nas associações judaicas nos Estado Unidos, o grande desafio de Szold aconteceria na II Guerra Mundial. Já no começo dos anos 1930, ela colaborou no resgate de crianças judias da Europa para a Palestina. Quando a situação dos judeus na Alemanha piorou drasticamente entre os anos de 1933-34, Szold estabelece uma parceria com Recha Freier e torna-se chefe da filial palestina da “Alliyah da Juventude”, fundada por Freier em Berlim, atuando diretamente no salvamento de milhares de crianças e adolescentes de origem judaica, que se encontravam na Alemanha e em outros países. Szold faleceu em 1945, na cidade de Jerusalém.

Sobre o vocabulário adotado: expressões mais relevantes

Como dito acima, algumas expressões foram traduzidas para o português de forma diferente da tradução em inglês e da publicação no livro Compreender. O objetivo foi tornar o texto mais fiel ao original alemão e preservar o sentido de certas falas. Ao longo da entrevista, Arendt faz uso de expressões idiomáticas alemãs, usadas corriqueiramente. Algumas são próximas de expressões idiomáticas brasileiras, como “segurar o bico” (“die Schnauze halten”), que significa “calar-se” ou “se abster de falar”. Nesse caso, decidiu-se manter a literalidade da expressão, pois, além de ser compreensível ao falante de português, ela preserva o tom usado por Arendt. Já a expressão “olhar suas próprias cartas” (“sich selbst in die Karten gucken”) foi traduzida por “olhar dentro de si mesmo”, privilegiando a compreensão em detrimento da literalidade. O mesmo ocorre com a expressão “ir para a água” (“ins Wasser gehen”), que Arendt usa para ilustrar sua necessidade vital de estudar filosofia na juventude. A expressão tanto pode significar literalmente “ir para a água”, quando alguém se dirige para um banho de mar, por exemplo, ou pode significar “se afogar”, pois remete também a afundar na água. Um terceiro sentido, mais metafórico, remete ao suicídio. Optou-se por usar o termo “morrer”, pois a própria Arendt esclarece que ela amava a vida, logo após dizer a expressão. Portanto, interpretou-se que ela não falava em praticar ativamente um suicídio, mas que seria como um suicídio, se ela fosse privada de ler filosofia, o que remete a uma atitude passiva, ou seja, “morrer”, em lugar de “se matar”.

Merece atenção especial a tradução do termo “Gleichschaltung”, empregado por Arendt ao discorrer sobre a situação daqueles que, de alguma forma, apoiaram o nazismo. Originalmente, o termo foi traduzido como “uniformização”. Preferiu-se nesta nova tradução o uso do termo “alinhamento”, por uma questão, mais uma vez, de sentido. Não é comum, em Língua Portuguesa, dizer que “Fulano se uniformizou com o regime ditatorial”, mas sim “Fulano se alinhou ao regime ditatorial”. Ainda que o termo tenha praticamente o mesmo sentido — de se integrar ao regime —, interpretou-se que o termo “alinhamento” é mais completo e possui mais força neste contexto. A expressão “Gleichschaltung” vem de “gleich” = “igual” ou “mesmo”, e “schalten” = “colocar”, “pôr”. Portanto, em termos mais literais, “sich gleichschalten” pode ser traduzido como “uniformizar-se”, significando a atitude alinhar-se a algo para fins de adesão, daí que optou-se por empregar a expressão “alinhar-se”, dada a maior compatibilidade com a forma de se expressar em português.

Situação semelhante ocorre com a tradução da palavra “Wagnis”, que, em termos literais, significa “risco”, mas foi traduzido como “aventura”, por uma questão de estilo. “Aventurar-se” soa mais profundo que o mero “arriscar-se”, com uma faceta mais positiva e profunda que o mero “risco”, geralmente associado a situações de caráter mais negativo, sem necessariamente decorrer da escolha do sujeito em arriscar-se. Aventurar-se, ao contrário, é sempre uma ação consciente empreendida por alguém, o que se aproxima melhor da noção de “vida ativa”.

Por fim, um dado meramente técnico. “Grüne Grenze” (literalmente “fronteira verde”) é como se refere à zona de fronteira com menos vigilância, através da qual, por conseguinte, é mais fácil realizar fugas. Achamos importante acrescentar o termo, pois ele ilustra os percalços de uma fuga ilegal, tal qual a realizada por Arendt, seu futuro marido Heinrich Blücher e tantos outros judeus, comunistas, ciganos e dissidentes do nazismo, durante o III Reich.

Com a publicação desta versão com legendas em português, espera-se ampliar o acesso ao legado arendtiano no Brasil, permitindo que mais pessoas possam conhecer as ideias de uma das maiores pensadoras do século XX.

Portbou 1940, estación término para Walter Benjamin |Por DOCUMENTOS RNE

18 de setembro de 2020

Cuando se cumple el 80º aniversario de la muerte de Walter Benjamin, Documentos RNE recrea los últimos momentos del filósofo y pensador alemán de origen judío.

Benjamin, enfermo del corazón y agotado físicamente, escapó de Francia en 1940, huyendo del avance de las tropas nazis. Después de pasar por Marsella para lograr un visado que le permitiera la entrada en Estados Unidos, buscó salir de Francia por la frontera con España. Pero al término de su marcha a través de los Pirineos, la policía española le comunica en Portbou que lo va a deportar de nuevo a Francia. Benjamin morirá esa noche por una sobredosis de morfina, aunque el certificado de defunción hablará de derrame cerebral.

El documental recorre la zona entre Portbou y La Jonquera, escenario del drama de Benjamin y de 400.000 refugiados españoles que solo un año antes habían atravesado los Pirineos en sentido contrario, huyendo de la represión franquista. Al otro lado de la frontera, Antonio Machado fallecerá en Colliure, a una docena de kilómetros de España, víctima también de una huida extenuante. Ambos, Benjamin y Machado, son un símbolo de la persecución y el exilio; de una búsqueda de la libertad que termina en tragedia.

Portbou, asomada al Mediterráneo y sede de una imponente Estación Ferroviaria Internacional, se convierte en este documental en un personaje más, con su memorial Pasajes, de Dani Karavan, cargado de simbolismo sobre el trágico destino de Walter Benjamin.

Portbou 1940, estación término para Walter Benjamin, reconstruye los últimos momentos del pensador alemán a través de los testimonios de Lisa Fittko, una judía antifascista que era el enlace para cruzar la frontera española, y Henny Gurland, compañera de fuga que será testigo presencial de su muerte. Además, incluye las voces de Maximiliano Fuentes, historiador, director de la Cátedra Walter Benjamin de la Universidad de Girona; Jörg Zimmer, presidente del Consejo Asesor de la Cátedra Walter Benjamin; Pilar Carrera, profesora del Departamento de Periodismo de la Universidad Carlos III y autora de Las moradas de Walter BenjaminMiquel Serrano, conservador del Museu Memorial de l’Exili de La Jonquera; Teresa Puig, de la Oficina de Turismo de Portbou; Joan Gubert i Macias, historiador y cronista oficial de Portbou; Jordi Font, director del Mèmorial Democràtic de Barcelona; y Pilar Parcerisas, crítica de arte, guionista de la película La última frontera, sobre el final de Benjamin, y creadora de la fundación Angelus Novus.

Para ouvir o documentário, clique aqui.

Documentos RNE se emite los viernes, de 23 a 24 horas, por Radio Nacional.

FONTE: https://www.rtve.es/radio/20200226/portbou-1940-estacion-termino-para-walter-benjamin/2004712.shtml

LIVE • Hora Arendt: As vidas de Hannah Arendt // no Instagram

13 de setembro de 2020

Saudades das nossas lives? Os #DiálogosArendtianos só voltam em outubro, mas temos uma novidade para quem está sentindo falta de conversas ricas sobre Hannah Arendt.

• HORA ARENDT • LIVES no Instagram com 1h de duração sobre temas relacionados à vida, aos contextos, à obra e outros aspectos biográficos e teóricos de Hannah Arendt e seu legado.

Tema de hoje: «As vidas de Hannah Arendt»
Hoje, 13.09, 18h – no instagram.com/hannaharendtbr

Barthes rompe com os clichês | Portrait – Le Monde

6 de setembro de 2020




No último dia 26.08, o jornal francês Le Monde publicou um perfil de Roland Barthes, onde fala sobre a luta deste contra a tirania dos estereótipos. Para conferir o texto, em francês, clique aqui.

Diálogos Arendtianos #5 | Crise na cultura

24 de agosto de 2020
200824Cartela_LiveYouTube
No último episódio da primeira temporada da série “Diálogos Arendtianos”, convidamos Juliana de Albuquerque e Eduardo César Maia para conversarmos sobre a crise na cultura. A partir dos ensaios “A crise na cultura: sua importância social e política” e “A crise na educação”, discutiremos sobre a afirmação de Arendt, de que a arte e o poder são fenômenos culturais, próprios à esfera da aparência, o que transforma a beleza no único critério válido para seu devido julgamento, sem referências à utilidade ou ao valor intrínseco. A partir da modernidade, com a ascensão da burguesia, a cultura passou a ter utilidade, um valor pragmático, como capital social: elevar os sujeitos de sua condição vulgar a um patamar superior, de nobreza espiritual, iluminado. Neste jogo de ascensão social, nasce o filisteísmo cultivado, que transforma a cultura em moeda. A partir deste fio, a discussão proposta aqui vai estabelecer paralelos à reflexão arendtiana e refletir sobre os desdobramentos dessa desintegração da cultura.

– Eduardo César Maia é professor do curso de Comunicação Social (CAA) e do Programa de Pós-Graduação em Letras (Teoria da Literatura) da Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente é colunista do Estado da Arte. Doutor em Teoria da Literatura pela UFPE, com estágio doutoral na Universidad de Salamanca (Espanha), com tese sobre a atualidade da tradição crítica humanista através das obras de José Ortega y Gasset e Álvaro Lins. É mestre em Teoria da Literatura pela mesma Instituição, com dissertação sobre o pensamento literário e crítico do escritor peruano Mario Vargas Llosa. Possui graduação em Jornalismo pela UFPE (2005) e Master em Filosofia pela Universidad de Salamanca (Espanha).
– Juliana de Albuquerque é bacharel em direito pela Universidade Católica de Pernambuco. Recifense, é mestre em filosofia pela Universidade de Tel Aviv (Israel) e doutoranda na University College Cork, na Irlanda. Assina coluna quinzenal no caderno Cotidiano da Folha.
– Ludmyla Franca-Lipke é bacharel em Direito pela Universidade Católica de Salvador, mestre em Direito pela Universidade Federal da Bahia e doutoranda em Ciência Política na Universidade Livre de Berlim, na Alemanha. É coordenadora assistente do Centro de Estudos Hannah Arendt.

Diálogos Arendtianos #4 – Edição especial |Pandemia e crimes contra a humanidade, com Cláudia Perrone-Moisés e Deisy Ventura

10 de agosto de 2020

04 (1)

Nesta edição especial dos Diálogos Arendtianos, conversaremos sobre a questão da pandemia do novo coronavírus (SARS-Cov-2) a partir da perspectiva dos direitos humanos e da responsabilidade de governantes na condução das medidas necessárias para combate a situações desta natureza. Valendo-se de casuísticas similares, análises de documentos, legislação nacional e internacional e protocolos de saúde pública, a reflexão proposta pelas professoras Cláudia Perrone-Moisés e Deisy Ventura é multidisciplinar, integrando conhecimentos de direito internacional, direito penal, direito constitucional, saúde pública, história e políticas públicas, e tem por objetivo demonstrar as vias possíveis para a compreensão do problema e suas implicações mais sérias, a saber: os crimes contra a humanidade, como o extermínio e o genocídio. Tendo como pano de fundo as construções teóricas de Hannah Arendt referentes ao tema dos direitos humanos, as professoras propõem uma conversa em caráter interdisciplinar e bastante necessária para estabelecer paradigmas político-jurídicos não só durante a maior pandemia dos últimos 100 anos, como também em vista da ameaça real de pandemias com outros vírus de letalidade similar ou maior fazerem parte das possibilidades em nosso horizonte de agora em diante.

CEHA na rede: https://linktr.ee/HannahArendt

Contato: HannahArendt.Brasil@gmail.com

Cláudia Perrone-Moisés: Professora Associada do Departamento de Direito Internacional e Comparado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e Coordenadora do Centro de Estudos Hannah Arendt (Comissão de Cultura e Extensão da Faculdade de direito da USP.) Bacharel, Mestre,Doutora e Livre-docente em direito internacional pela Universidade de São Paulo. Pós-Doutorado no Collège de France (2008). Professora Convidada na Universidade de Paris V – René Descartes (2010/2013) e na Universidade de Lyon 3- Jean Moulin (2014/2015). Prêmio Jabuti na categoria direito em 2012.

Deisy Ventura: Professora Titular de Ética da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo (USP), onde é Chefe do Departamento de Saúde Ambiental e Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Saúde Global e Sustentabilidade. É Professora do Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da USP, onde fez sua Livre-Docência em Direito Internacional (2012) e lecionou de 2008 a 2018. É Presidente da Associação Brasileira de Relações Internacionais – ABRI (2019-2021), e foi membro de sua Diretoria entre 2013 e 2017. É Doutora em Direito Internacional e Mestre em Direito Comunitário e Europeu da Universidade de Paris 1, Panthéon-Sorbonne. Graduada em Direito e Mestre em Integração Latino-americana da Universidade Federal de Santa Maria. É editora-executiva da Revista Saúde e Sociedade, e membro do NAP-DISA (Núcleo de Pesquisa em Direito Sanitário) da FSP/USP. É membro da Comissão de Ética da USP (2020-2021). É membro da Comissão sobre fragmentação da Saúde Global da Revista The Lancet em colaboração com a London School of Hygiene and Tropical Medicine, a Universidade de Heidelberg e o Norwegian Institute of Public Health (“Lancet Commission on synergies between UHC, health security, and health promotion”). Exerceu a Cátedra Simon Bolívar do Instituto de Altos Estudos da América Latina da Universidade de Paris 3 (Sorbonne-Nouvelle, 2007), foi professora convidada de Sciences-Po Paris (Ciclo Iberoamericano de Poitiers, 2007) e convidada do Instituto de Altos Estudos Internacionais e do Desenvolvimento (IHEID) de Genebra no Programa Global South Scholar in Residence (2010-2011). Foi Consultora Jurídica da Secretaria do Mercosul (Montevidéu, 2003-2006). Foi professora adjunta e Pró-Reitora de Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Santa Maria. Publicou 15 livros sobre temas internacionais e de educação jurídica. Coordenou no IRI/USP os projetos de extensão universitária sobre direitos dos migrantes internacionais Educar para o Mundo (2009-2013) e São Paulo Cosmópolis (parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo, 2013-2017). Seus temas atuais de pesquisa são a Ética da Saúde Global; a permeabilidade entre as dimensões nacional e internacional da regulação, particularmente no campo da saúde global e da mobilidade humana internacional; e o emprego da arte na formação superior. Blog: http://saudeglobal.org/ Twitter: http://twitter.com/Deisy_Ventura

Moderação: Ludmila Franca-Lipke

Referências: Diálogos Arendtianos #3

8 de agosto de 2020

Conforme prometido, seguem aqui os links e documentos relativos à live sobre Persistências Totalitárias:

Artigo “Um interminável Brasil colônia: os povos indígenas e um outro desenvolvimento”, de Artionka Capiberibe, citado por Pádua Fernandes

Filme “O Oficial e o espião”, de Roman Polanski, citado por Adriana Novaes

Artigo de Idelber Avelar que trata do Relatório Figueiredo

Link do Armazém Memória, mantido pelo Marcelo Zelic, do Grupo Tortura Nunca Mais, mencionado pelo Pádua

A íntegra do Relatório Figueiredo, mencionado por Adriana Novaes 

Artigo“Universidade e totalitarismo”, mencionado pelo Pádua Fernandes

Blog“O Palco e o Mundo“, de Pádua Fernandes

Esquecemos de algo? Escreve para a gente: hannaharendt.brasil@gmail.com

maxresdefault

Clownfascismo

5 de agosto de 2020

LIVE: Sábado, 08.08, 16h — Diálogos Arendtianos #3: Persistências totalitárias. Com Adriana Novaes, Pádua Fernandes e Ludmila Franca-Lipke

• YouTube: https://bit.ly/2Xs05RI
• Facebook: https://bit.ly/2EFpTmH
• Twitter.com/HannahArendtBR (via Periscope)

Diálogos Arendtianos #3: Persistências totalitárias | Sábado, 08.08, 16h

3 de agosto de 2020

 

O terceiro “Diálogos Arendtianos” tratará de um tema que tem despertado bastante interesse, especialmente a partir de 2016, após o resultado da eleição presidencial nos EUA: a persistência dos elementos do totalitarismo hoje, mesmo em democracias sólidas, em vista da ascensão do populismo de extrema-direita na Europa e nas Américas. A partir da exposição de alguns conceitos construídos por Arendt sobre o fenômeno totalitário, Adriana Novaes e Pádua Fernandes, em conversa mediada por Ludmila Franca-Lipke, analisarão o tema considerando especialmente a experiência brasileira, refletindo a partir do passado ditatorial recente até a atual situação política do país.

NOVIDADE: a partir de sábado, 08.08, nossas lives serão transmitidas ao vivo também no Twitter, via Periscope. Agora, além do YouTube e do Facebook, vcs poderão acompanhar via Twitter os “Diálogos Arendtianos”

Sábado, 08.08, 16h — Diálogos Arendtianos #3: Persistências totalitárias

YouTube: https://bit.ly/2Xs05RI
Facebook: https://bit.ly/2EFpTmH

Twitter.com/HannahArendtBR

CEHA na rede:
Twitter.com/HannahArendtBR
Instagram.com/HannahArendtBR
Facebook.com/HannahArendtBR
HannahArendt.wordpress.com
Podcast: https://spoti.fi/2WrBR9s // SoundCloud.com/hannaharendtbr Youtube.com/c/CentroDeEstudosHannahArendt
Contato: HannahArendt.Brasil@gmail.com

Adriana Novaes: Possui graduação em Comunicação Social pela Fundação Armando Alvares Penteado (1996), graduação (2007) e licenciatura (2008) em Filosofia pela Universidade de São Paulo, mestrado em Ciências da Comunicação (2002) e doutorado em Filosofia (2017) pela Universidade de São Paulo. Fez estágio de pesquisa para o doutorado na New School for Social Research (segundo semestre de 2015). É pós-doutoranda do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É autora de “O canto de Perséfone” e de “Hannah Arendt no século XXI: a atualidade de uma pensadora independente”
Pádua Fernandes: Possui graduação em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1992), mestrado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1996) e doutorado em Direito pela Universidade de São Paulo (2005). Foi pesquisador para a Comissão Nacional da Verdade, a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo ‘Rubens Paiva” e a Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo. Integra o Instituto de Pesquisa Direitos e Movimentos Sociais. Realizou pesquisa de pós-doutorado sobre literatura e justiça de transição no IEL-Unicamp (2019)
Ludmila Franca-Lipke: Doutoranda em Ciência Política no Instituto Otto Suhr da Universidade Livre de Berlim (FU-Berlin). Coordenadora Assistente do Centro de Estudos Hannah Arendt – USP.
Inscreva-se em nosso canal e ative as notificações para receber aviso sobre novos eventos, lives e programas do CEHA
03
%d blogueiros gostam disto: