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O que fazer com filósofos do passado que se revelaram racistas e sexistas? |Folha de S. Paulo

27 27-02:00 janeiro 27-02:00 2019

Mais útil que proibir é indagar se eles seriam preconceituosos ainda hoje, afirma autor

JULIAN BAGGINI

[RESUMO] Autor vê equívoco no julgamento de pensadores que manifestaram preconceitos arraigados em épocas menos esclarecidas e defende que mais útil é indagar se seus modos de pensar os levariam a ser preconceituosos hoje.

Admirar os grandes pensadores do passado virou um risco moral.

Elogie Immanuel Kant e alguém pode lembrar a você que ele acreditava que “a humanidade alcança sua maior perfeição na raça dos brancos” e que “os índios amarelos possuem talento escasso”. Louve Aristóteles e você terá que explicar como é possível que um sábio genuíno possa ter pensado que “o macho é por natureza superior, e a fêmea, inferior; o homem é o governante, e a mulher, a súdita”.

Escreva um tributo a David Hume, como fiz recentemente, e será criticado por louvar alguém que escreveu em 1753-54: “Tendo a suspeitar que os negros e todas as outras espécies de homens, em geral, sejam naturalmente inferiores aos brancos”.

Parece que estamos diante de um dilema. Não podemos simplesmente descartar como insignificantes os preconceitos inaceitáveis do passado. Mas, se pensarmos que a defesa de opiniões moralmente repreensíveis desqualifica alguém de ser visto como grande pensador ou líder político, não restará praticamente ninguém da história.

O problema não desaparece se excluirmos os homens brancos do establishment. O racismo era comum no movimento sufragista feminino de ambos os lados do Atlântico.

A sufragista americana Carrie Chapman Catt disse: “A supremacia branca será fortalecida pelo sufrágio feminino, e não enfraquecida”. Emmeline Pankhurst, sua companheira britânica na luta, virou defensora acirrada do colonialismo, negando que ele fosse “algo a ser criticado ou do que se envergonhar” e insistindo que, em vez disso, “é algo grandioso sermos os herdeiros de um império como o nosso”.

Tanto o sexismo quanto a xenofobia têm sido comuns no movimento sindicalista, tudo isso em nome da defesa dos direitos dos trabalhadores — dos trabalhadores homens e não imigrantes, que fique claro.

Mas é um equívoco pensar que ideias racistas, sexistas ou intolerantes de outras maneiras automaticamente desqualifiquem uma figura histórica como objeto de admiração. Qualquer pessoa que não consiga admirar figuras assim revela uma profunda falta de entendimento sobre como nossas mentes são condicionadas socialmente, mesmo as maiores delas.

Pelo fato de o preconceito parecer tão evidentemente errado, essas pessoas não conseguem imaginar como alguém possa deixar de enxergá-lo, a não ser que seja degradado em termos morais.

A indignação dessas pessoas supõe de modo arrogante que elas próprias são tão virtuosas que jamais seriam tão imorais, mesmo quando todos a sua volta fossem incapazes de enxergar a injustiça. Já deveríamos saber que isso não é verdade.

A lição mais perturbadora do Terceiro Reich é que ele foi apoiado em grande medida por cidadãos comuns que teriam levado vidas isentas de culpa, não fosse o acaso de terem vivido naqueles tempos particularmente tóxicos.

Qualquer confiança que possamos sentir no fato de que nós não faríamos o mesmo é infundada, já que hoje temos consciência do que as pessoas na época não sabiam. Tolerar o nazismo hoje é inimaginável, porque não é preciso imaginação alguma para entender exatamente quais foram suas consequências. Por que tantas pessoas acham impossível acreditar que qualquer chamado gênio possa ter deixado de enxergar que seus preconceitos eram irracionais e imorais?

Uma razão disso é que nossa cultura parte de uma premissa equivocada e muito arraigada: que o indivíduo é um intelecto humano autônomo, independente do ambiente social. Um conhecimento mesmo superficial de psicologia, sociologia ou antropologia jogaria por terra essa ilusão cômoda.

O ideal do Iluminismo de que todos somos capazes e devemos pensar por nós mesmos não deve ser confundido com a fantasia hiper-iluminista de que todos somos capazes de pensamento independente. Nosso pensamento é moldado por nosso ambiente, de maneiras profundas das quais nós mesmos não temos consciência. Aqueles que se negam a aceitar que são tão limitados por essas forças quanto todas as outras pessoas têm delírios de grandeza intelectual.

Quando uma pessoa está arraigada em um sistema imoral, torna-se problemático atribuir responsabilidade individual. Isso é perturbador, porque todos acreditamos com firmeza na ideia de que o lócus da responsabilidade moral é o indivíduo autônomo. Se levássemos a sério o condicionamento social de crenças e práticas repulsivas, o medo é que todos seriam perdoados e que nos restaria um relativismo moral intolerável.

Mas o receio de que seríamos incapazes de condenar o que mais precisa ser condenado é infundado. A misoginia e o racismo não são menos repulsivos pelo fato de serem produtos de sociedades, tanto ou mesmo mais do que de indivíduos.

Desculpar Hume não quer dizer tolerar o racismo; desculpar Aristóteles não é desculpar o sexismo. Racismo e sexismo nunca foram aceitáveis: as pessoas apenas acreditavam, de maneira equivocada, que fossem.

Aceitar isso não significa passar por cima dos preconceitos do passado. Tomar consciência de que mesmo pensadores como Kant e Hume foram produtos de seu tempo serve para nos lembrar de que as maiores mentes também podem ficar cegas diante de erros e males, se estes forem bastante onipresentes.

Isso também deve nos levar a questionar se os preconceitos que vêm à tona em suas observações mais infames não podem estar à espreita, em segundo plano, em outras partes de seu pensamento. Boa parte da crítica feminista feita à filosofia de “homens brancos mortos” é dessa natureza, argumentando que a misoginia evidente é só a ponta de um iceberg muito mais insidioso. Em alguns casos isso pode ser verdade, mas não devemos presumir que seja. Muitos pontos cegos são locais, deixando o campo geral de visão perfeitamente claro.

A defesa da misoginia de Aristóteles apresentada por Edith Hall, estudiosa dos clássicos da literatura grega e romana, constitui um exemplo rematado de como salvar um filósofo de seu próprio pior lado.

Em lugar de julgar Aristóteles pelos critérios de hoje, Hall argumenta que um teste melhor seria indagar se os fundamentos de seu modo de pensar o levariam a ser preconceituoso hoje. Dada a abertura de Aristóteles a evidências e à experiência, não há dúvida de que, se vivesse hoje, não seria necessário persuadi-lo de que as mulheres estão em pé de igualdade com os homens.

Também Hume se rendia à experiência, de modo que, se vivesse hoje, é provável que não suspeitaria nada de negativo em relação aos povos de pele escura. Em suma, não precisamos olhar além dos fundamentos da filosofia deles para entender o que estava errado no modo como eles os aplicaram.

Uma razão pela qual podemos relutar em perdoar os pensadores do passado é o receio de que desculpar os mortos nos obrigará a desculpar os vivos. Se não pudermos criticar Hume, Kant ou Aristóteles por seus preconceitos, como podemos criticar as pessoas que estão sendo cobradas pelo movimento #MeToo por atos que cometeram em círculos sociais em que esses atos eram completamente normais? Afinal, Harvey Weinstein não seguiu tipicamente a cultura do “teste do sofá” de Hollywood?

Há, no entanto, uma diferença muito importante entre os vivos e os mortos. Os vivos podem entender como seus atos foram errados, podem reconhecer o fato e demonstrar remorso. Quando seus atos forem crimes, podem enfrentar a Justiça. Não podemos nos dar ao luxo de sermos tão compreensivos com os preconceitos do presente quanto somos com os do passado.

Para transformar a sociedade, é preciso levar as pessoas a enxergar que é possível superar os preconceitos com que foram criadas. Não somos responsáveis por criar os valores distorcidos que moldaram a nós e a nossa sociedade, mas podemos aprender a assumir a responsabilidade por como lidamos com eles de agora em diante.

Os mortos não têm essa oportunidade; logo, é inútil desperdiçar nossa indignação castigando-os. Temos razão em lamentar as iniquidades do passado, mas culpar indivíduos por coisas que fizeram em tempos menos esclarecidos, aplicando os padrões de hoje, é duro demais.

Julian Baggini, escritor e filósofo britânico, é autor de “O que os Filósofos Pensam” (ed. Ideias e Letras, 2005) e “How the World Thinks: A Global History of Philosophy” (2018).

Texto originalmente publicado no site Aeon; tradução de Clara Allain.

Ilustríssima / FSP 27.1.2019

Hannah Arendt’s answer to Paul Berman on the contemporary American Left | Tablet Magazine

14 14-02:00 janeiro 14-02:00 2019

The latest entry in a Tablet feature analyzing the state of the American left, inspired by Paul Berman’s series of essays on the subject. Here, a ‘Dissent’ editor asks, ‘patriotism, what’s it good for?’

By Tim Shenk

“If you want to understand American politics today, the single best source might be page 334 of Hannah Arendt’s masterpiece, The Origins of Totalitarianism. No, that’s not because Donald Trump is plotting a fascist coup. He’s not nearly smart enough to pull it off. Even if he were, Arendt’s description of life under totalitarian rule is easily the least insightful part of the book. Her real genius was for explaining why liberal societies fall apart. It’s a question that should be on all of our minds.

Now, on to page 334. After running through a brief history of modern Europe, Arendt’s narrative brings her to one of the most puzzling questions of the interwar period: Why were vulgar demagogues peddling ridiculous doctrines able to turn millions of people against the liberal order? She had, by then, already discussed the psychology of what she sniffily referred to as “the mob,” and now turned her attention to totalitarianism’s attractions for the elite. What especially interested Arendt, who turned 27 the year Hitler became chancellor of Germany, was its appeal for younger intellectuals.

Her answer centered on the failings of the status quo. “What the defenders of liberalism and humanism overlook,” she observed, was that it had become “easier to accept patently absurd propositions than the old truths which had become pious banalities.” Why was that? Well, people had eyes. They could see that elites who proclaimed themselves champions of civilization were “parading publicly virtues which [they] not only did not possess in private and business life, but actually held in contempt.” Everybody knew the whole thing was a joke, except for the great men who bought into their own propaganda. Confronted with this hypocrisy, “it seemed revolutionary to admit cruelty, disregard of human values, and general amorality because this at least destroyed the duplicity upon which the existing society seemed to rest.” Sure, the alternative was farcical, but at least everyone would be able to stop mouthing the same old lies, and that offered a kind of liberation.”

Para ler o artigo completo, clique aqui.

Hannah Arendt em Lisboa | Publico

11 11-02:00 dezembro 11-02:00 2018

Por Rui Tavares, para o “Publico”

Uma das coisas em que insisto perante os alunos é que não vejam as pessoas de que falamos — sobretudo e se forem autores, pensadores, artistas, políticos, cientistas e outros homens e mulheres célebres — como se fossem nomes numa enciclopédia.

Quando dou aulas, uma das coisas em que insisto perante os alunos é que não vejam as pessoas de que falamos — sobretudo se forem autores, pensadores, artistas, políticos, cientistas e outros homens e mulheres célebres — como se fossem nomes numa enciclopédia, mas antes como mulheres e homens que viveram como os humanos vivem: foram jovens, entusiasmaram-se, hesitaram, tiveram medo, apaixonaram-se e zangaram-se uns com os outros, e também não viam as pessoas à sua volta como figuras prontas a entrar nos livros de história mas como gente do seu tempo por quem tinham amor ou ódio, respeito ou amizade, antipatia ou empatia.

Como todas as banalidades que é preciso não ter medo de repetir, esta guarda dentro de si duas verdades importantes. A primeira é que embora nem todos os autores escrevam para o seu tempo, a nenhum é dado viver fora do seu tempo; e a realidade com que viveu é muitas vezes essencial para entender as ideias que teve, porque as manteve, ou porque as abandonou. A segunda, mais importante ainda, é que também a nós, mesmo quando nos deprimimos, assustamos ou desorientamos, nos é dada a oportunidade de contribuir com qualquer coisa de bom e útil para a humanidade. É bom não esquecer essa oportunidade e não deixar de a usar quando se apresenta.

Quando chegou a Lisboa, em janeiro de 1941, Hannah Arendt, que nascera em 1906, já tinha sido brevemente presa pelos nazis em 1933, era refugiada desde os 27 anos e apátrida desde os 31 anos. Tinha acabado de casar pela segunda vez, com o poeta Heinrich Blücher, e escapara in extremis da França ocupada com o seu marido e a sua mãe. Quem conseguiu passá-los, através do recurso a documentos falsos, foi um jovem de vinte e poucos anos que tinha lutado pelos republicanos na Guerra Civil de Espanha e que viria a ser o grande economista e historiador das ideias Albert Hirschman.

Repito: toda esta gente não era para Hannah Arendt (nem uns para os outros) a “filósofa” ou o “economista”. Eram a Hannah, o Heinrich e o Albrecht, mais um humano dos tempos sombrios a precisar de um visto e de uma passagem de navio para o exílio.

Hannah Arendt chegou a Lisboa sob a nuvem escura da notícia da morte do seu amigo Walter Benjamin, que se suicidara uns meses antes na fronteira entre a França e a Espanha, ao acreditar (supõe-se que erradamente) que não o deixariam passar até Lisboa. Os dois amigos não viriam a encontrar-se na capital portuguesa, nem nunca mais, mas Hannah e Heinrich transportavam consigo o manuscrito das Teses sobre a filosofia da história que Benjamin escrevera no início do ano anterior e que lhes enviara por segurança, pedindo que não fosse publicado (provavelmente, até que pudesse rever o texto). Das poucas coisas que sabemos que Hannah Arendt fez em Lisboa, além de lutar contra a depressão e esperar por papéis e passagens para Nova Iorque, foi ler o ensaio de Walter Benjamin, que ela e Heinrich decidiram tomar a responsabilidade de fazer publicar quando chegassem aos EUA.

Hannah Arendt falava pouco e quase nunca escreveu sobre a sua passagem por Lisboa (um dos seus discípulos, o diplomata brasileiro Celso Lafer, lembra-se de ela lhe dizer que descobrira conseguir ler e entender os títulos dos jornais em português — Arendt era uma boa latinista, além de falar francês, o que lhe facilitava a compreensão da nossa língua). Mas não devemos daí inferir que essa passagem tenha sido pouco importante. Foi-o para ela e deve ser para nós.

A passagem de Hannah Arendt não foi só parte do percurso que lhe salvou a vida e que lhe permitiu depois escrever algumas das obras mais importantes da teoria e filosofia política do nosso tempo — algumas das quais, como As Origens do Totalitarismo, estão permanentemente a precisar de serem redescobertas. Em meu entender, a influência da estada paralisante em Lisboa, do seu peso emocional, do seu desespero surdo, sente-se principalmente no extraordinário ensaio Nós Refugiados, que Arendt viria a publicar em 1943 e que deveria ser leitura comum pelo menos nas escolas europeias. Por sua vez, é o ter entendido, na sua pele de pessoa refugiada e apátrida, que a cidadania é o primeiro dos direitos — “o direito a ter direitos”, como ela lhe chamava — que esteve na origem da sua cada vez mais relevante filosofia dos direitos humanos.

Para nós, é importante lembrar Hannah Arendt precisamente como cidadãos, na dupla acepção da palavra: como cidadãos de Lisboa e de Portugal, e como humanos neste planeta, sujeitos de inalienáveis direitos à dignidade, à liberdade e a participar nas decisões que nos dizem respeito.

Hoje, segunda 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, às onze da manhã, a Câmara Municipal de Lisboa inaugurará um memorial a Hannah Arendt próximo ao lugar onde ela viveu na nossa capital, na Rua da Sociedade Farmacêutica 6b. O memorial ficará no larguinho, que espero que um dia se venha a chamar Largo Hannah Arendt, da esquina entre a Rua da Sociedade Farmacêutica e o Conde Redondo (declaração de interesses: a proposta do memorial foi do LIVRE, mas apraz-me dizer que foi aprovada por unanimidade na Assembleia Municipal de Lisboa, e rapidamente implementada pela Vereação da Cultura de Lisboa).

Pelo que fica dito atrás, esta comemoração no espaço físico de Lisboa não é só um ato de justiça perante o passado; é um ato de esperança no futuro. A partir de agora, a cidade de Lisboa lembrará a quem ali se quiser sentar, descansar e refletir, as últimas palavras de Hannah Arendt em Nós Refugiados: “A Europa estilhaçou a sua alma quando deixou que os seus mais vulneráveis fossem perseguidos e escorraçados”. Não o esqueçamos nunca, para que não voltemos a perder a nossa alma.

O retorno dos brioches | Folha de S. Paulo

11 11-02:00 dezembro 11-02:00 2018

JOÃO PEREIRA COUTINHO, para a Folha

Assisto aos protestos de Paris e confesso que, pela primeira vez na minha pobre existência conservadora, não são as chamas reais que me assustam. São as chamas metafóricas que, nos jornais e na TV, condenam os protestos dos “coletes amarelos”.

Distinção importante: que na destruição em curso há banditismo em larga escala, ninguém duvida. São casos de polícia, não de política.

O problema, porém, está no tom geral com que o comentariado lida com o assunto: os “coletes amarelos” são subgente, não trabalhadores desesperados pela crise, pela pobreza ou pelo garrote fiscal em que vivem. O ideal, aliás, era Emmanuel Macron não os escutar e, se possível, prender todo mundo numa nova Bastilha.

Essa arrogância não é nova. É moda. Sessenta e dois milhões de americanos votaram em Trump? São selvagens, todos eles. Dezessete milhões votaram no Brexit? São selvagens, todos eles. Dez milhões votaram em Marine Le Pen?

Precisamente: todos eles. No pensamento mágico do comentariado, se insultarmos as pessoas com afinco, elas acabarão por desaparecer da paisagem.

É contra essa cegueira que Robert Eatwell e Matthew Goodwin se insurgem. Nos últimos tempos, por razões acadêmicas e pessoais, tenho lido o que posso sobre o fenômeno populista. Mas nenhum livro é remotamente comparável a “National Populism: The Revolt Against Liberal Democracy”.

O principal objetivo dos autores é acabar com as fantasias (ou “mitos”, nas suas palavras) de que o populismo não passa de um fenômeno conjuntural, que rapidamente será ultrapassado.

Na cartilha otimista, a crise financeira de 2008 abalou as sociedades e fez brotar da terra os Trumps, os Farages, as Le Pens. A crise dos refugiados só agravou o problema.

Mas, assim que a economia melhorar e os refugiados forem integrados nos países de acolhimento, os populistas e seus seguidores voltarão ao buraco negro de onde vieram.

Essa fantasia só faria sentido se, antes de 2008, o “ethos” populista (uma celebração da “vontade geral” popular contra elites distantes ou corruptas) não estivesse já à solta pelo DNA das democracias.

Obviamente, estava. Sempre esteve, pelo menos desde finais do século 19. O que agora presenciamos é apenas o auge de uma tensão que faz parte da própria história da democracia: a tensão entre as massas e os seus representantes.

Por outras palavras: a democracia liberal só existe porque existiu um entendimento prévio de que o povo é parte do projeto, não o seu dono absoluto.

Como escrevia James Madison no “Federalista” (artigo nº 10), só o governo representativo pode impedir o poder destrutivo das “facções”. O povo vota; o representante, usando o seu melhor juízo, decide em nome do povo.

Esse compromisso, com acidentes de percurso, durou até meados do século 20, quando a Europa resolveu suicidar-se pela segunda vez. A ordem liberal que surgiu das ruínas entendeu que a paz tinha um preço: transferir para instituições transnacionais e supranacionais o essencial da decisão política, econômica e até cultural.

Azar: o compromisso foi quebrado e as massas, agora, apresentam a conta do prejuízo. Que fazer?

Concordo com Eatwell e Goodwin: tem havido entre as elites liberais uma espécie de “recusa da literalidade” (expressão minha, não deles). Essa recusa significa não aceitar que metade dos eleitorados nacionais (contas por alto) desejam realmente o que desejam: menos imigração; fronteiras reforçadas; devolução de poderes para a nação; respeito pelas suas identidades culturais contra agendas “politicamente corretas” que são vistas como uma imposição abusiva aos seus “modos de vida”.

Os votos não são apenas de protesto; são de afirmação. O que significa que as democracias liberais só podem sobreviver se estabelecerem um novo compromisso entre os “bárbaros” e os “iluminados”.

Um exemplo? A imigração. Como argumentam os autores, nenhuma sociedade aceita passivamente uma política de portas abertas. Mas nenhuma sociedade é sustentável, argumento eu, com trancas à porta, ao contrário do que Hillary Clinton sugeriu recentemente aos europeus para espanto dos seus companheiros de estrada.

Uma política de imigração realista tem em conta critérios de integração cultural, sustentabilidade econômica, necessidades laborais e viabilidade política. Negar isso é suicídio.

Saber se o suicídio será cometido pelas elites políticas tradicionais do Ocidente, eis uma pergunta a que o futuro dará resposta.

Mas, pelo tom dos comentários, é impossível não escutar a voz (apócrifa) de Marie Antoinette. As massas não tem pão? Que comam brioches.

E elas comeram.

João Pereira Coutinho
Escritor, doutor em ciência política pela Universidade Católica Portuguesa.

FSP 11.12.2018

Aos hesitantes | Bertold Brecht

10 10-02:00 dezembro 10-02:00 2018

Tradução: André Vallias

Você diz:
A coisa vai mal para nós.
A escuridão aumenta. As forças decrescem.
Agora, após termos trabalhado tantos anos, estamos
Em situação mais difícil do que no início.

O inimigo, porém, está mais forte do que nunca.
Suas forças parecem maiores. Tomou aspecto invencível.
Cometemos erros, sim, não dá mais para negar.
Nosso número diminui.
Nossos bordões estão em desordem. Uma parte das nossas palavras
O inimigo distorceu até ficarem irreconhecíveis.

O que está errado agora daquilo que dissemos
Alguma coisa ou tudo?
Com quem podemos contar ainda? Somos os restantes, arrancados
Do fluxo dos viventes? Vamos permanecer
Não compreendendo mais ninguém e por ninguém compreendidos?

Precisamos ter sorte?

É o que você pergunta. Não
Espere outra resposta além da sua.

1935

A Holocaust survivor tells her story | DW Documentary

30 30-02:00 novembro 30-02:00 2018

Margit Meissner conta aos jovens sobre o Holocausto e sua própria fuga dos nazistas.

por DW Documentary

Margit Meissner, de 96 anos, sobreviveu ao Holocausto e agora está fazendo tudo que pode para garantir que ele nunca seja esquecido. Meissner é uma voluntária muito ativa no Museu Memorial do Holocausto, de Washington D.C. e regularmente encontra jovens para contar sobre o genocídio dos judeus e como escapou por pouco dos nazistas, há mais de 75 anos. Margit Meissner também participa de um projeto do fotógrafo alemão Luigi Toscano, viajando pelo mundo, tentando documentar o maior número possível de sobreviventes do Holocausto. Não foi fácil para ela concordar com o pedido do fotógrafo – apenas ouvir a língua alemã ainda invoca memórias traumáticas para ela.

Vídeo em inglês.

A Shadow Over Europe | CNN

28 28-02:00 novembro 28-02:00 2018

Uma reportagem da CNN

Anti-Semitic stereotypes are alive and well in Europe, while the memory of the Holocaust is starting to fade, a sweeping new survey by CNN reveals. More than a quarter of Europeans polled believe Jews have too much influence in business and finance. Nearly one in four said Jews have too much influence in conflict and wars across the world.

One in five said they have too much influence in the media and the same number believe they have too much influence in politics.

Meanwhile, a third of Europeans in the poll said they knew just a little or nothing at all about the Holocaust, the mass murder of some six million Jews in lands controlled by Adolf Hitler’s Nazi regime in the 1930s and 1940s.

Those are among the key findings of a survey carried out by pollster ComRes for CNN. The CNN/ComRes poll interviewed more than 7,000 people across Europe, with more than 1,000 respondents each in Austria, France, Germany, Great Britain, Hungary, Poland and Sweden.

The poll was commissioned and completed before the killing of 11 people at a synagogue in Pittsburgh — the deadliest ever attack on the Jewish community in the United States.

The poll uncovered complicated, contrasting and sometimes disturbing attitudes about Jews, and some startling ignorance.

Forgetting the Holocaust?

About one European in 20 in the countries CNN surveyed has never heard of the Holocaust, even though it’s less than 75 years since the end of World War II, and there are still tens of thousands of Holocaust survivors alive today.

Lack of Holocaust knowledge is particularly striking among young people in France: One out of five people there between the ages of 18 and 34 said they’d never heard of it.

In Austria — the country where Hitler was born — 12% of young people said they had never heard of the Holocaust. Austria also had the highest number of people in the survey saying they knew “just a little” about the Holocaust. Four out of 10 Austrian adults said that.

Across Europe, half of respondents said they know “a fair amount” about the Holocaust, while only one out of five people said they know “a great deal.”

(Americans do not fare any better: A survey carried out on behalf of the Claims Conference earlier this year found that 10% of American adults were not sure they’d ever heard of the Holocaust, rising to one in five millennials. Half of all millennials could not name a single concentration camp, and 45% of all American adults failed to do so.)

But Europeans do believe it is important to keep the memory of the Holocaust alive.

Two-thirds of Europeans said that commemorating the Holocaust helps ensure that such atrocities will never happen again. That figure rises to 80% in Poland, where the Nazis established Auschwitz, the deadliest concentration camp of all.

Half of Europeans said commemorating the Holocaust helps fight anti-Semitism today.

But at the same time, a third of Europeans said that Jews use the Holocaust to advance their own positions or goals. The same number disagreed and nearly a third of respondents expressed no opinion.

Complex relations

Attitudes sharpened when it comes to the relationship between the Holocaust, Israel, Jews and anti-Semitism.

A slight but solid majority of Europeans — 54% — said Israel has the right to exist as a Jewish state, with the figure rising to two-thirds in Poland.

A third of survey respondents believe that criticism of Israel tends to be motivated by anti-Semitism, while only one in five said it does not.

Nearly one in five said anti-Semitism in their countries was a response to the everyday behavior of Jewish people.

However, a third of people CNN surveyed said that Israel uses the Holocaust to justify its actions, with half the respondents in Poland agreeing. Only one in five disagreed.

A third of Europeans said supporters of Israel use accusations of anti-Semitism to shut down criticism of Israel, while only one in 10 said that was not true.

A third of Europeans said commemorating the Holocaust distracts from other atrocities today, with higher than average numbers of Germans, Austrians, Poles and Hungarians stating that.

And while many people said anti-Semitism is a growing problem in their countries — to the extent that 40% said Jews were at risk of racist violence in their countries and half said their governments should do more to fight anti-Semitism — substantial minorities blamed Israel or Jews themselves for anti-Semitism.
More than a quarter of respondents (28%) said most anti-Semitism in their countries was a response to the actions of the state of Israel.
And nearly one in five (18%) said anti-Semitism in their countries was a response to the everyday behavior of Jewish people.

“I’m not anti-Semitic, but…”

Few people said they personally have an unfavorable attitude toward Jews. Across the seven countries in the survey, one in 10 people said they did — although the figure rises to 15% in Poland and 19% — about one in five — in Hungary.

In every country polled except Hungary, significantly more people said they had a favorable opinion of Jews than an unfavorable one. (In Hungary, favorable topped unfavorable 21% to 19%, with the rest saying they had neither a favorable nor unfavorable view.)

The poll also put a spotlight on European attitudes toward other minorities.

While 10% of Europeans admitted they had unfavorable views of Jews, 16% said they had negative views of LGBT+ people, 36% said they had unfavorable views of immigrants, 37% said that about Muslims, and 39% said it of Romani people.

But while the number of Europeans openly admitting negative attitudes towards Jews was relatively low, CNN questions about whether traditional anti-Semitic stereotypes still resonate across the continent found clear evidence that they do.
In Poland and Hungary, about four out of 10 people said Jews have too much influence in business and finance around the world.
Roughly one out of three people there said Jews were too influential in political affairs around the world, and more than a quarter of Poles and Hungarians said they had too much influence on the media.

A third of Austrians said Jews have too much influence in finance, while a quarter of French and German respondents said so.

About one in five people in all three countries said Jews had too much influence in media, and a quarter said they had too much influence on wars and conflicts.

Numbers

The belief in Jewish power runs in parallel with enormous overestimates of the number of Jews in the world.

About two-thirds of the respondents in the survey guessed too high when asked what percentage of the world is Jewish, and similar numbers got the answer wrong for their own countries.

A quarter of Hungarians estimated that the world is more than 20% Jewish, and a fifth of British and Polish respondents said so.

They were off by a factor of 100. About 0.2% of the world’s population is Jewish, according to the Pew Research Center’s Global Religious Landscape study.

They were off by a factor of 100. About 0.2% of the world’s population is Jewish, according to the Pew Research Center’s Global Religious Landscape study.

Four out of ten respondents in the survey thought their own countries were between 3% and 10% Jewish. In fact, Israel is the only country in the world where more than 2% of the population is Jewish.

The overestimates came even as majorities or near-majorities in every country CNN polled said they were not aware of ever having met a Jewish person. Two-thirds of Germans, Austrians and Poles said they didn’t think they had ever socialized with a Jew, while about half of people in Britain, France, Hungary and Austria said the same.

ComRes interviewed 7,092 adults online in seven countries between September 7 and September 20 2018 (Great Britain, 1010; France, 1006; Germany, 1012; Poland, 1020; Hungary, 1019; Sweden 1018; Austria, 1007). Data was weighted to be representative of each country based on age, gender and region.

Estudantes marxistas, os novos inimigos do Governo chinês | El País

21 21-02:00 novembro 21-02:00 2018

Pequim repreende aliança entre trabalhadores e universitários ideologicamente ultraortodoxos

Pequim
.

Xiao Lan (nome fictício) começou a sentir curiosidade pelo marxismo como doutrina na escola, quando caiu em suas mãos o romance Germinal, de Émile Zola. O monumental relato da greve de mineiros na França do século XIX cativou sua imaginação e seu senso de justiça. Ao iniciar uma faculdade de ciências em uma das grandes universidades de Pequim, entrou na associação de estudantes marxistas, um dos grupos de atividades extracurriculares que podem ser encontrados em qualquer universidade na China.

Com o grupo, Lan estudou as obras originais de Marx, Lênin e Mao Tsé-Tung. Durante o curso, esses estudantes – muitas vezes sob o olhar zombeteiro de outros colegas, para os quais seu interesse na ideologia de Karl Marx era uma amostra de excentricidade um pouco ridícula – ajudaram os trabalhadores das lanchonetes universitárias a limpar mesas, tomaram conta de seus filhos e escutaram as histórias dos trabalhadores imigrantes da construção.

“Quando comecei a ser consciente da situação dos trabalhadores me transformei em ativista. Sou filha de uma família de operários, mas até então não havia parado para pensar”, diz.

Lan agora vive tempos conturbados. Passou a semana olhando seu celular e lendo mensagens em suas redes sociais. No fim de semana passado, uma dúzia de jovens ativistas marxistas, como ela, foram presos em uma série de batidas nas principais cidades chinesas. De repente, os grupos de universitários “vermelhos” – minoritários, mas aumentando – se encontram na mira de um regime que se define, pelo menos no papel, como comunista.

Em um primeiro olhar, as posições dos estudantes e das autoridades deveriam estar perfeitamente alinhadas. O próprio presidente chinês, Xi Jinping, que recuperou alguns dos sinais de identidade do mandato de Mao – a fonte de legitimidade do sistema -, pediu um fortalecimento da educação ideológica nas escolas e universidades chinesas. O marxismo é uma matéria obrigatória aos estudantes do terceiro período.

Mas “o marxismo que [o Partido Comunista da China] ensina nas escolas não é o verdadeiro: é selecionado e interpretado para adaptá-los aos seus próprios fins”, diz Eric Fish, autor do livro China´s Millenials: The Want Generation.

E a contradição entre os ideais da doutrina original e a realidade é óbvia.

“O aumento da desigualdade e outras questões sociais na China levaram a uma decepção em certos setores em relação ao programa de ‘reforma e abertura’, e há uma percepção de que o Parido Comunista abandonou suas origens socialistas”, diz a pesquisadora Simone van Nieuwenhuizen, do Instituto de Relações Austrália-China na Universidade de Tecnologia de Sidney.

No caso dos jovens, o desencanto sobre a desigualdade e a corrupção se soma ao fato de que não possuem “o mesmo medo instintivo das autoridades das gerações anteriores”: não viveram a Revolução Cultural e não se lembram do massacre de Tiananmen, diz Fish.

Nesse ano, dezenas de estudantes vindos de todo o país viajaram a Huizhou, no sudeste do país, para solidarizar-se com os trabalhadores da Jasic Technology, que protestavam contra o que consideravam um “tratamento escravista” por parte da fabricante de máquinas para solda.

Na China, os protestos trabalhistas não são menos frequentes. Somente em 2018, a ONG China Labour Bulletin, com sede em Hong Kong, contabilizou mais de 900 greves por todo o país e em todos os tipos de setores, do táxi à mineração.

Mas que estudantes de universidades de elite viajem milhares de quilômetros para solidarizar-se com trabalhadores de uma fábrica se tornou algo muito mais raro desde que as manifestações de estudantes e trabalhadores de 1989 em Tiananmen acabaram dispersadas em sangue.

Pequim decidiu que tinha um problema. “A combinação do ativismo dos trabalhadores e dos estudantes é exatamente a fórmula utilizada pelo Partido Comunista para chegar ao poder. Portanto, em sua experiência, agora que está no poder não pode permitir que se repita”, diz o historiador independente Zhang Lifan.

50 estudantes foram presos em agosto. E desde então a pressão aumentou.

Já no mês passado a Universidade de Pequim anunciou mudanças em sua direção nesse sentido: o novo reitor era o secretário do Partido dentro da instituição; Qiu Shuiping foi nomeado como novo secretário, um funcionário que em seu currículo inclui ter sido o homem do Partido na delegação de Pequim do Ministério de Segurança Interna, os serviços secretos chineses.

Nessa semana, e após as últimas batidas, a Universidade de Pequim descreveu as atividades do “Grupo de Solidariedade aos Trabalhadores de Jasic” como “delitivas”, e alertou seus estudantes que “se ainda existem os que querem desafiar a lei, terão que lidar com as consequências”.

E tudo leva a crer que o controle continuará endurecendo. No próximo ano é o centenário do Movimento 4 de Maio, protestos liderados por estudantes da Universidade de Pequim que marcaram uma virada na história intelectual da China do século XX; e será o 30° aniversário do massacre de Tiananmen, datas em que o regime estará mais alerta do que nunca contra qualquer ação não ortodoxa.

“A ‘manutenção da estabilidade’ nas universidades está se transformando em uma prioridade cada vez maior, e (as batidas contra os estudantes marxistas) provavelmente só a aumentam. Mas em algum momento pode ser demasiado para que os estudantes a tolerem. A repressão sempre em crescimento às vezes pode criar o efeito oposto ao que se pretende”, diz Fish.

Xiao Lan afirma que o crescimento da pressão não a preocupa. “Não tenho medo. Podem tentar me obrigar, mas eu não irei renunciar”. E – cientista que é – cita o ditado atribuído a Galileu após a Inquisição o forçar a negar que a Terra girava em torno do Sol: “eppur’ si muove” (“e, entretanto, se move”).


Mais controle sobre a internet

M.V.L

A partir de 30 de novembro as já rígidas normas de controle sobre internet na segunda economia do mundo se endurecerão ainda mais. Todas as companhias tecnológicas e fornecedores de serviços on-line com “capacidade de mobilização social ou de gerar opinião pública” terão que facilitar às autoridades os dados pessoais e de atividade na internet de seus usuários, segundo uma nova diretiva da Administração do Ciberespacio da China.

A nova obrigação se aplicará a serviços tão variados como os blogs e microblogs, às plataformas de streaming de vídeo ou os aglomeradores de notícias.

As companhias terão que mostrar aos inspetores da Administração que registram a informação de seus usuários, incluídos seus nomes verdadeiros, o nome sob o qual está registrada a conta, o tempo de uso, o tipo de aparelho empregado e as conexões de chat.

A pequena amiga judia de Adolf Hitler | El País

16 16-02:00 novembro 16-02:00 2018

Imagem leiloada esta semana mostra o ditador alemão abraçando uma menina de origem judaica com quem trocou cartas durante cinco anos.

por ANTONIA LABORDE

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Fotografia cedida na quarta-feira pela casa de leilões de peças históricas Alexander mostrando Adolf Hitler com a menina judia Rosa Bernile Nienau.

“A menina do Führer.” Assim chamavam Rosa Bernile Nienau, uma garota de ascendência judaica que forjou uma insólita amizade com Adolf Hitler. A relação começou na primavera de 1933 na Berghof, a residência que o ditador tinha nos Alpes bávaros, na Alemanha. A menina de seis anos tinha viajado com a mãe de Munique para comemorar o aniversário de Hitler, que pediu para conhecê-la pessoalmente quando soube que haviam nascido no mesmo dia. Durante cinco anos trocaram cartas e posaram para várias fotografias publicitárias, até que a cúpula do líder nazista tomou conhecimento de que ela não era uma “alemã pura” e forçou o fim da amizade. Uma terna imagem em branco e preto de ambos abraçados foi leiloada na terça-feira em Maryland, Estados Unidos, por 11.520 dólares (cerca de 43.600 reais). A foto tem um autógrafo de Hitler: “A querida e apreciada Rosa Nienau e Adolf Hitler, Munique, 16 de junho de 1933”.

Não se sabe como a imagem chegou à casa de leilões Alexander Historical Auctions, nem tampouco a identidade do comprador. O que é certo é que a foto foi feita por Heinrich Hoffmann, fotógrafo pessoal do ditador, e que este a enviou a Karoline, a mãe da menina. Além da assinatura de Hitler em tinta azul, o retrato tem nove flores das neves e um trevo de quatro folhas, detalhes acrescentados pela menina. Rosa Bernile era filha única. Seu pai morreu antes de ela nascer e a mãe, filha de uma judia, era enfermeira. Ter um quarto de sangue semítico era considerado ser judeu na Alemanha nazista. A documentação de que a casa de leilões dispõe revela que Hitler ficou sabendo rapidamente da origem de sua amiga, mas sua fraqueza por ela impediu-lhe de romper o vínculo, “seja por motivos pessoais ou publicitários”.

Hoffmann costumava tirar fotos do ditador acompanhado de crianças para vender a imagem de que era, além de carismático, um líder próximo e carinhoso. Mas a história por trás da foto de propaganda com Rosa Bernile veio à tona anos depois. Os Arquivos Federais Alemães (Bundesarchive) possuem 17 cartas escritas pela menina ao seu “querido tio Hitler” e ao chefe de ajudantes nazistas, Wilhelm Brückner, entre 1935 e 1938. Pode-se deduzir dos escritos que o genocida se encontrou várias vezes com seu “carinho”, como ele a chamava. “Estimado tio Brückner! Hoje eu tenho muito a te dizer. Quando Durante as férias estivemos em Obersalzberg e me deixaram ver o querido tio Hitler duas vezes! Infelizmente, você nunca estava acordado”, diz uma das missivas.

O anômalo vínculo entre o responsável pelo Holocausto e a menina judia se rompeu quando o líder nazista Martin Bormann, secretário particular de Hitler, soube da herança de sangue de Rosa Bernile. Bormann ordenou que fosse proibido o acesso dela e da mãe à casa nos Alpes e exigiram que Hoffmann não voltasse a usar imagens dela nas propagandas. A princípio, o fotógrafo não disse nada ao Führer, mas depois o informou da restrição. James Wilson, especialista na área de Obersalzberg durante o Terceiro Reich, relata em seu livro Hitler’s Alpine Headquarters (2014) (O Quartel-general Alpino de Hitler): “Hitler ficou tão enfurecido por terem denunciado sua pequena amiga que lhe disse [a Hoffmann]: ‘Existem pessoas que têm verdadeiro talento para arruinar minha alegria’”.

Apesar da pouca idade, Rosa Bernile não pôde testemunhar o fim da Segunda Guerra Mundial. Ele morreu vítima de pólio em 5 de outubro de 1943, aos 17 anos, no Hospital Schwabing. As investigações revelam que estudou desenho técnico durante a adolescência. Uma de suas primeiras obras de arte foi feita sobre uma fotografia com seu “querido tio Hitler”.

The Ruthless Rise of the Nazis in Berlin| Der Spiegel

15 15-02:00 novembro 15-02:00 2018

In the mid-1920s, Joseph Goebbels was given the difficult task of fostering support for the growing Nazi Party in Berlin, “the reddest city in Europe besides Moscow.” But, by 1933, a combination of street brutality and political smarts succeeded in catapulting the party past rival parties.

By Uwe Klußmann | DER SPIEGEL

Thursday, 11/29/2012 06:05 PM

Para tradução em português, por Leonardo Tavares Brown, clique aqui.

On that gray Nov. 7 in 1926, there was no indication that the short 29-year-old man who walked with a limp and had just stepped off of a train at Berlin’s Anhalter Station would shape the destiny of the German capital. Joseph Goebbels, a career official with the National Socialist German Workers’ Party (NSDAP), or Nazi Party, had arrived on what seemed to be an impossible mission. As Gauleiter, or regional party leader, he had been tasked with leading the fight for power in Berlin.
At the time, the splinter group led by Adolf Hitler had 49,000 members throughout all of Germany. It was in sad shape in the capital, where it could only boast a few hundred members. In a report written in October 1926, a party official wrote of the “complete breakdown of the Berlin organization,” which he described as a self-destructive, confused group that was almost beyond repair.

The party office at Potsdamer Strasse 109 could only reinforce this impression. It consisted of a dark basement room that reeked of cigarette smoke, sweat and beer. Party members referred to it as “the opium den.”

At the end of the year, Goebbels rented a more acceptable office for the party on Lützowstrasse. He kicked the do-nothings and the troublemakers out of the party and called upon the remaining members to participate in various campaigns.

Goebbels had been in office for hardly a week before he organized a march through the Neukölln district, a communist stronghold, that devolved into a street riot.

Goebbels wanted Hitler’s party to show its colors in Berlin, which he described as “the reddest city in Europe besides Moscow.” Together, the Social Democratic Party (SPD) and the Communist Party of Germany (KPD) captured 52.2 percent of the vote in the 1925 municipal elections. Berlin’s new Nazi leader decided to combat the left’s superiority in numbers with a frontal attack.

He went to the Pharussäle, a meeting hall often used by the KPD for its mass rallies in Berlin’s Wedding district, and gave a speech on the subject of “The Collapse of the Bourgeois Class State.” This provoked the communists.

On Feb. 11, 1927, the Nazi Party meeting turned into a violent brawl between the two groups. Beer glasses, chairs and tables flew through the hall, and severely injured people were left lying covered with blood on the floor. Despite the injuries, it was a triumph for Goebbels, whose thugs beat up about 200 communists and drove them from the hall.

A Strategy of Provocation

Goebbels turned Berlin into a violent laboratory for the future dictatorship, availing himself of the services of the uniformed Sturmabteilung (“Assault Division”), or SA, whose members were known as the “brownshirts.” The SA combined soldierly romanticism, the hatred of younger people for the older elites, and the rage of Berlin’s working-class in the eastern part of the city against its wealthier western districts.

For the Nazi Party, the brownshirts — who included the unemployed, the underemployed, apprentices and high-school students — were “political soldiers.” In Goebbel’s view, their task was the “conquest of the street.” In the melting pot of Berlin, these primarily young men were supposed to reconcile and embody two previously hostile worldviews: nationalism, which Goebbels believed had to be “reshaped in a revolutionary way,” and a “true socialism” free of Marxism.

Berlin’s Jews became the lightning rod for this experiment, which aimed to bring the social and political tensions of the metropolis to the breaking point. Goebbels, who had done his doctoral work under a Jewish professor, assigned the Jews the scapegoat role.

“The Jew” was a “negative aspect” that had to be “eradicated,” Goebbels wrote in 1929. He viewed the Jews as simultaneously embodying capitalism, communism, the press and the police. His simplistic slogan “The Jews are to blame!” proved to be a slow-acting poison.

As the head of Berlin’s Nazis, Goebbels chose Bernhard Weiss, the Jewish deputy chief of the city’s police force, as a target of his anti-Semitic agitation. Goebbels nicknamed him “Isidore” and, after Weiss sued Goebbels for libel and won, he called him “Weiss, whom one isn’t allowed to call Isidore.” Goebbels derided Weiss’s police officers as “Bernhardiner” (“St. Bernard dogs”) and “Weiss guardsmen.”

Young party members sang satirical songs about “Isidore” and wore “Isidore” masks — and they often had the laughs on their side. Indeed, the Nazis used coarse humor as a sharp weapon in their struggle with the Weimar Republic. “We scoffed at an entire system and brought it down with resounding laughter,” Gunter d’Alquen, the young editor-in-chief of Das Schwarze Korps (The Black Corps) wrote in 1937. This was the official newspaper of the Schutzstaffel (“Protection Squadron”), or SS, which was founded in 1925 as a sort of Praetorian Guard for Hitler.

Goebbels believed that “horseplay is necessary.” At a showing of a film adaptation of the pacifist novel “Im Westen nichts Neues” (“All Quiet on the Western Front”) on Dec. 5, 1930, at the Mozartsaal cinema on Berlin’s Nollendorfplatz, members of the SA released white mice into the audience. Screaming women caused the film to be interrupted while SA men roared with laughter. Goebbels himself was sitting in the audience.

He justified his strategy of provocation by saying that the Nazis could be accused of many things, but certainly not of being dull. Street battles and brawls at political meetings forged a sense of unity and camaraderie among party members in Berlin. On May 1, 1927, Hitler spoke to them for the first time at the dignified Clou concert hall. Goebbels enjoyed Hitler’s confidence and was moved to tears by his speech about “space and the people.”

Party members in Berlin loved the man they called “our Dr. Goebbels” because he spent time in direct contact with them. He comforted the severely wounded, held the hands of the dying and attended the funerals of the dead.

Modest Initial Success

Goebbels, who was unable to fight in World War I because of his deformed right leg, proved to be the top soldier of an army fighting an insidious civil war. During it, the Nazis survived severe challenges. Five days after Hitler’s speech at the Clou, the police banned the Nazi Party in Berlin. But that didn’t stop its ascent. Goebbels, who had read the memoirs of August Bebel, a Marxist politician and co-founder of the Social Democratic Party (SPD) in Germany, had learned a lesson from the Social Democrats’ struggle against Bismarck’s anti-socialist laws.

The Nazis established seemingly harmless groups, such as bowling, savings and swimming clubs. Using the motto “Not dead, despite the ban,” Goebbels established the newspaper Der Angriff (The Attack) in July 1927, initially as a weekly. The subheading, “For the Oppressed — Against the Exploiters,” targeted working-class readers.

At first, the Nazis enjoyed only modest success. Some 39,000 Berliners, or 1.6 percent of the city’s entire population, voted for Hitler’s party in the May 1928 election to the Reichstag, as the parliament was called. However, Berlin’s ban on the Nazi Party was lifted for the election campaign. When Goebbels became one of 12 Nazi members of the Reichstag, he did so with the challenging words: “We have nothing to do with the parliament. We reject it from within.”

Indeed, the strategy of the Berlin branch of the Nazi Party was to serve as an extra-parliamentary opposition, forming cells on the street and in businesses, using the communist approach as a model. In 1928, the party staged a rally with several thousand supporters, filling the Sportpalast winter sports venue on Potsdamer Strasse.

In 1929, the party headed by “bandit-in-chief Goebbels,” as the communists called him, captured 5.8 percent of the vote for city council, securing 13 seats in the city’s parliament.

The Weimar Republic’s “system,” which the Nazis attacked, was relatively stable for a long time. But that changed in late October 1929, when the stock market in New York crashed. Mass unemployment rose sharply, increasing the potential for urban unrest.

Berlin’s Nazis waged a political war on two fronts. One front was against the Social Democrats and the established parties running the city and the country. The other was against the communists, whose ranks swelled when people uprooted by the crisis were driven into their arms.

In its struggle with the propagandists of world revolution, the Nazi Party had only one chance to differentiate itself from the reactionary right wing. In Der Angriff, Goebbels polemicized against the “black, white and red fat cats,” referencing the colors of the flag of the German Empire favored by many right-wing nationalists. “You say ‘fatherland,'” he wrote accusatorily, “but what you’re talking about are percentages.”

He saw workers disappointed by the stolid SPD as a target group. He called the SPD “Germany’s most shameless party” and held it responsible for “poverty, hunger, fat cats and thin workers.” The Social Democrats, Goebbels said in August 1930, were “no longer the protagonists of a true, purposeful socialism,” but instead had become the “lackeys and beneficiaries of market capitalism.” In fact, with its aging and corruptible politicians, the SPD made things easier for the Nazis in Berlin.

The bigger challenge for the Nazis was the Communist Party of Germany (KPD), headed in Berlin by Walter Ulbricht, who would go on to become the de facto leader of post-war East Germany. The activist party had its strongholds in Berlin’s blue-collar neighborhoods, like Friedrichshain and Wedding, and it had a powerful paramilitary organization in the Roter Frontkämpferbund (Alliance of Red Front-Fighters).

Politicians who hoped to succeed in Berlin’s “red” neighborhoods had to speak a language understood there. In a flyer distributed in September 1931 to unemployed workers waiting at a government agency in Berlin, Goebbels wrote that the party was turning to “workers without work and without hope, exposed to the most horrible form of desperation,” and he promised “to destroy the system of capitalism and replace it with a new, socialist order.”

In their appeal “to all of the unemployed,” the Nazis cleverly called into question the strength of the leftist parties, the SPD and the KPD. Goebbels courted the proletarians by treating them like cheated brides, addressing them as “you who have been left forsaken by your seducers.”

Goebbels was familiar with the communists’ weak points, namely, the often out-of-touch language of their officials and the control Soviet leaders exerted over them. In Der Angriff, Goebbels wrote that the KPD, as a “Russian foreign legion on German soil” created “with Russian money and German human resources,” was alienating many members of the proletariat.

Helped by a “Martyr”

Horst Wessel was one of the Nazi propagandists who knew how to gain the support of workers. Born in 1907, he had graduated from a high school that emphasized the classics but dropped out of university before earning a degree. Wessel saw himself as a socialist who had been shaken by the “great social impoverishment and servitude of the working classes in all professions.”

Wessel, the son of a Protestant pastor, was 19 when he joined the Nazi Party in 1926. By 1929, he had advanced to become head of an SA squad in Friedrichshain. Within a few weeks, Wessel’s rhetorical skills had helped him recruit dozens of new members. Together, they would become the legendary “SA-Sturm 5.”

Indeed, next to Goebbels, there was no one who spoke more often than Wessel for the Nazi Party in greater Berlin. Wessel’s speeches even succeeded in convincing former communists to join the SA. With Goebbels’ approval, they were permitted to bring their musical instruments, oboe-like wind instruments called shawms, to Nazi events.

Wessel and his friends sought to establish contact with proletarians in dark back courtyards and noisy taverns, on street corners and at unemployment offices. In doing so, they adhered to the third of the “Ten Commandments for National Socialists” penned by Goebbels: “Every national comrade, even the poorest, is part of Germany. Love him as you love yourself.”

He soon became a hated figure in the “Commune,” as the Nazis called the KPD. On Jan. 14, 1930, Albrecht Höhler, a communist pimp, shot the SA officer, who was living with a former prostitute, in the mouth. Wessel died of complications from the attack on Feb. 23.

His funeral illustrated how just out-of-control Berlin had become. Communists attacked the funeral procession and tried to seize the coffin. Before the funeral, they had painted the words “A final Heil Hitler to the pimp Horst Wessel!” on the wall of the Nikolai Cemetery.

Attracting Workers Away from the Communist Party

But the killing of one of its most powerful propagandists didn’t weaken the Nazi movement in Berlin. Communists, in particular, increasingly became the victims of armed SA members. In one version of their song, “We March Through Greater Berlin,” they sang “The red front, break them to pieces.” In another version, the words were changed to: “beat them to a pulp.”

The Nazi Party continued to attract new members, and Wessel became their martyr. In the SA “storm bars” — which, according to the police, grew fivefold, to 107, between 1928 and 1931 — SA members in their brown uniforms sang the anthem Wessel had supposedly written: “The flag on high! The ranks tightly closed! The SA marches with quiet, steady step.”

Half a year after the Wessel’s death, it was clear that Berlin was on the verge of a political earthquake. On Sept. 10, 1930, a crowd of more than 100,000 people turned up outside the Sportpalast, trying to gain get in for a rally attended by Hitler.

In Reichstag elections held four days later, the Nazi Party became the second-strongest party in the country, capturing 18.3 percent of the vote. In Berlin, where it became the third most powerful party after the KPD and the SPD, it garnered 396,000 votes, or more than 10 times as many as it had just two years earlier.

The Nazis had become the political center of power and trendsetter in politics. Even the communists, who had initially hoped to fight off the Nazis with fists, brass knuckles and revolvers (their motto was: “Beat the fascists wherever you encounter them!”), were now courting Hitler’s followers. In an appeal by the district office for Berlin-Brandenburg on Nov. 1, 1931, the KPD praised the “National Socialist workers” and “proletarian supporters of the Nazi Party,” calling them “honest fighters against the system of hunger.”

Indeed, the Nazis had broken the KPD’s monopoly as the only protest party among Berlin’s working classes. In August 1930, the KPD official newspaper Der Parteiarbeiter (The Party Worker) complained that new comrades in KPD were not finding “the spirit of camaraderie that is needed to be able to cooperate with friends.” But the Nazis didn’t have these kinds of problems.

Instead of the KPD’s rigid ideological fare, the SA homes offered hot soup and solidarity. In 1932, there were 15,000 SA members in Berlin. During the Christmas holidays, unemployed party members were invited to the homes of the members who still had work in what Goebbels called the “socialism of action.”

The concept gradually took hold in “red” Wedding, where the number of party members grew from 18 to 250 between 1928 and 1930. In a district where the majority voted communist, the Hitler Youth held “public discussion evenings” with titles such as “The Swastika or the Soviet Star.”

Workers who had lived in the Soviet Union were popular guests at Nazi agitation evenings. They gave vivid accounts of the miserable lives of workers and the reign of terror of the secret police. One of the star attractions at the Nazi political circus was Roland Freisler. During World War I, Freisler had spent time as a prisoner of war in Russia. He would later become president of the Nazi-era People’s Court, which handled a broad array of “political offenses” and became notorious for its frequent death sentences.

Popularity Breakthrough

In 1932, when the ranks of the unemployed throughout the Reich swelled to more than 6 million, and to 600,000 in Berlin alone, the Nazi Party achieved its breakthrough to become a major party, counting 40,000 members in its regional organization. In March 1932, the party mobilized about 80,000 people for a rally in the Lustgarten park (on what is now called Museum Island), which became a trial run for future events. On April 4, some 200,000 people congregated on the square between the Zeughaus building (currently housing the German Historical Museum) and the Berlin City Palace to cheer on Hitler.

The previous January, general student body elections in Berlin had demonstrated that university students were also anxious to support Hitler. The Nazis captured 3,794 of the 5,801 votes cast, or almost two-thirds. The Hitler wave had even reached children, who entered the German Youth, a subdivision of the Hitler Youth for younger boys, and the League of German Girls. In 1932, many an astonished grandmother was confronted with a 10-year-old granddaughter insisting: “Grandma, you must vote for Hitler!”

Young men who read Der Angriff, which began publication as a daily newspaper in November 1930, were opinion leaders in offices and factories. In early November 1932, the National Socialist Factory Cell Organization, together with the KPD’s Revolutionary Union Opposition, organized a strike against wage cuts at the Berlin Transport Authority. Nazis and communists picketed alongside each other and joined forces to beat up strike breakers.

The strike cost the party a large number of votes in the Nov. 6, 1932 Reichstag election, especially in middle-class neighborhoods. But Goebbels was pursuing a strategic goal in the city, where the KPD was now the strongest party. “Our fixed position among the working people,” he wrote in his diary, could not be allowed to totter.

Goebbels promised the “right to work” and “a socialist Germany that gives bread to its children once again.” This awakened the hopes of the 31.3 percent of Berlin voters who voted for the Nazi Party in the last Reichstag election of March 1933. Only those who paid close attention to what Goebbels was saying could divine where the journey was about to go under Nazi leadership.

One such case was a 1932 radio broadcast in which he propagated the “creation and acquisition of space,” which was code for Hitler’s push to expand eastward. Another was in a speech he gave on Feb. 5, 1933, at the grave of a Berlin SA leader who had been shot to death. In this case, he offered radio listeners a taste of what was to come: “Perhaps we Germans don’t understand what it means to live, but we are extremely good at dying.”

Translated from the German by Christopher Sultan

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