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Reunificação alemã: 30 anos

3 de outubro de 2020

Hoje comemoram-se os 30 anos da Reunificação Alemã. Em 3 de outubro de 1990, as duas Alemanhas —República Democrática Alemã/Oriental e República Federal Alemã/Ocidental— voltaram a ser um único país, após décadas de divisão. Aqui colocamos algumas imagens de Berlim “antes e depois” do Muro, para contar um pouco dessa história.

Com o fim da 2ª Guerra, em 1945, a Alemanha, ocupada pelos Aliados, teve de encarar os horrores do período nazista. Como parte deste processo, o país foi dividido em setores, restando sob administração interina dos países aliados: URSS, EUA, França e Inglaterra. A mesma divisão setorial também foi feita em Berlim, capital do país. A oeste, estavam os setores americano, francês e inglês. A leste, o setor soviético. Estava assim traçada a divisão da Alemanha (e do mundo) em Ocidente e Oriente, entre capitalismo e socialismo. Em 1949, tal divisão se consumou com a criação da República Democrática Alemã (DDR, na sigla alemã), que tornou-se um dia Estados-satélites europeus da URSS. Na Alemanha Ocidental, o chanceler Konrad Adenauer instituiu Bonn como capital, mas manteve ainda a parte ocidental de Berlim, que estava cravada no meio da agora rival Alemanha Oriental. Em 1961, como reflexo do acirramento da Guerra Fria e para impedir que mais pessoas deixassem a DDR, o então governo da Alemanha Oriental erigiu, da noite pro dia, um muro separando a cidade em duas: surgia assim o maior símbolo da Guerra Fria, o Muro de Berlim, a representação em concreto da Cortina de Ferro.

Apesar da divisão e de todas as narrativas criadas para justificar a existência do Muro, especialmente a partir de 1971, por força da Ostpolitik instituída pelo chanceler da Alemanha Ocidental, Willy Brandt, a sustentação econômica da Alemanha oriental era em boa parte garantida pela ajuda financeira da “rival” ocidental. Desde o princípio, havia uma intenção em preservar os laços do povo alemão, apesar da divisão. O seu antecessor, Adenauer, entregou parte do país a Stalin, a fim de que este pudesse satisfazer seu desejo por reparação pecuniária pelos danos da Guerra, mas acreditava que, com o tempo, a URSS perderia o interesse no país e o sucesso econômico da outra metade acabaria por desencadear um processo de reunificação. Contudo, o acirramento da Guerra Fria e a construção do Muro tornaram a divisão uma questão muito maior do que a simples reunificação de um país. Para Brandt, era preciso lembrar que a divisão da Alemanha não deveria implicar a divisão do povo, que era um só, razão pela qual instituiu-se a ajuda à DDR, apesar de toda disputa e rivalidade própria da Guerra Fria. No outono europeu de 1989, igrejas e estudantes iniciaram uma série de protestos, que ficou conhecida como Revolução Pacífica, na esteira do enfraquecimento do regime soviético e do processo inevitável de abertura da Cortina de Ferro. Em 9 de novembro de 1989, um mês após os 40 anos da DDR, por um mal entendido do secretário do Partido, Günther Schabowski, que declarou a abertura das fronteiras “de imediato”, milhares de pessoas foram até o Muro, exigindo poder atravessar para lado ocidental. Sem saber como agir, os soldados da fronteira, até então com ordens para atirar para matar qualquer um que tentasse atravessar o Muro, abstiveram-se de impedir a travessia. Caía assim o Muro de Berlim. Um ano depois, em 3 de outubro de 1990, a reunificação alemã foi consumada, um processo longe de ser bem resolvido, pois as feridas da divisão e da forma como se deu a reunificação ainda seguem abertas e se acirram no contexto dos avanços populistas que vemos no mundo todo. Trinta anos depois, há ainda um longo caminho para os alemães.

As imagens são da página Now and Then, no Facebook. Em algumas fotografias, há cenas do filme “Asas do Desejo”, filmado em 1987 em locais da fronteira entre as Duas Alemanhas.

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