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Premiê grego promete combater nazismo após morte de rapper por integrante do Aurora Dourada

26/09/2013

Em discurso na TV, Antonis Samaras diz que governo “combaterá descendentes do veneno nazista”

por Opera Mundi

O primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, afirmou na quinta-feira passada (19/09), em discurso exibido na televisão, que combaterá grupos nazistas após a morte do rapper Pavlos Fyssas, de 34 anos, por um militante do partido de extrema-direita Aurora Dourada. O crime ocorreu um dia antes, em 18/09, provocando e uma onda de indignação no país e uma série de protestos contra a legenda e o nazismo.

“O governo está determinado a não permitir que os descendentes dos nazistas envenenem a vida social, cometam crimes, intimidem e minem os fundamentos do país que deu nascimento à democracia”, declarou o chefe de governo.

Samaras não chegou a anunciar medidas específicas para combater o avanço do nazismo no país. Eles são acusados de estarem ligados ao Aurora Dourada, partido que combate a presença de imigrantes na Grécia, nega o Holocausto e defendem o governo militar que comandou o país de 1967 a 1974. Eles possuem 18 representantes no Parlamento grego, que conta com 300 assentos – 250 elegíveis.

O Aurora Dourada obteve crescente apoio eleitoral após a crise da dívida pública que se iniciou no país em 2010, gerando altos índices de recessão e desemprego. O atual governo é composto pelas duas correntes políticas que dominaram eleitoralmente a Grécia desde a redemocratização – a direita, com o ND (Nova Democracia), de Samaras, e a centro-esquerda, do Pasok (Partido Socialista Pan-helênico), e são duramente criticados pelas medidas de austeridade fiscal aplicadas para receber empréstimos da Troika (grupo de credores formado por Comissão Europeia, Fundo Monetário Internacional e Banco Central Europeu) para administrar a dívida.

Grupos das mais diferentes correntes políticas e sociais pedem o banimento da legenda. O Pasok classificou a Aurora Dourada como uma “organização criminal”, pedindo que ela seja considerada ilegal, seguindo discurso que já tem sido defendido desde o ano passado pelo Syriza, de esquerda, que voltou a pedir o fim do grupo.

No mesmo discurso, Samaras diusse que o país pode sair da recessão, que oficialmente já dura seis anos, e da profunda crise econômica se permanecer unida. A violência “destrói qualquer possibilidade para a Grécia de conseguir desenvolvimento, paz e prosperidade”, afirmou. “Não é o momento para o conflito ou as tensões internas”, destacou.

O ministro da Ordem Pública Nikos Dendias, prometeu fortalecer os dispositivos legislativos, em particular os que dizem respeito às organizações criminosas e aos grupos armados.

Funeral

Centenas de pessoas se reúnem em um cemitério no oeste de Atenas para o funeral de Kyssas, mais conhecido como Killah P. Outras 4 mil protestaram em uma periferia popular no oeste de Atenas, próxima ao bairro de Keratsini, local do crime. Eles atenderam a convocação dos sindicatos de trabalhadores, atrás de um cartaz que dizia “Bloqueio ao fascismo”.

O jovem, sepultado nesta quinta-feira, levou duas facadas no peito após uma briga de bar em Atenas na madrugada de quarta-feira, dia 18/09, por um caminhoneiro de 45 anos que teria confessado à polícia a filiação ao Aurora Dourada.

“Fora fascistas”, “Os trabalhadores não têm medo de ameaças”, “Erga-se, de pé, não baixe a cabeça, a resistência é o único caminho possível”, eram algumas das frases pronunciadas pelos líderes sindicais e repetidas pela multidão.

Repercussão

Na quinta (19/09), as manchetes dos jornais gregos expressavam a consternação provocada no país pelo assassinato.

“O assassinato a sangue frio de um cidadão por um simpatizantes do Aurora Dourada deve despertar a todos”, afirma o jornal liberal Kathimerini.

A primeira página do jornal Eleftherotypia (esquerda) estava de luto, mostrando o perfil do rapper assassinado com uma lágrima de sangue.

“O monstro do nazismo mata”, afirma o jornal Ethnos.

Ta Nea, mais popular jornal grego, publicou na sua capa a imagem de uma suástica cortada por uma linha vermelha, como uma placa de trânsito, com uma manchete em letras garrafais: “Chega!”.

Enquanto isso, organizações internacionais fizeram alertas sobre o aumento da violência neonazista e defenderam uma ação do governo.

“Este incidente é chocante e intolerável, sobretudo em um país da União Europeia”, declarou o líder da bancada socialista no Parlamento Europeu, Hannes Swoboda, poucos meses antes de Atenas assumir a presidência da UE.

“Se o governo grego e o primeiro-ministro Antonis Samaras não conseguirem conter o comportamento odioso do Aurora Dourada e de outros grupos fascistas, a presidência [grega] será inaceitável”, advertiu.

A Anistia Internacional apelou às autoridades gregas que façam o “necessário para impedir a violência cometida pelos atores políticos” e enviem uma “mensagem clara de que atos deste gênero não serão tolerados”.

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