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Apelo de Hitler sobrevive 65 anos após sua morte

08/05/2012

Culto a líder nazista cruza fronteiras da Europa e cresce em países como Índia e Paquistão

Leda Balbino, iG São Paulo

Apesar de passados 65 anos desde sua morte, Adolf Hitler e seu regime totalitário alemão ainda exercem fascínio sobre muitos. E esse sentimento não se restringe à Europa, onde há movimentos neonazistas e de extrema direita na Alemanha, Áustria, Bélgica, França e outros países. Seu apelo cruzou as fronteiras para locais como sul da Ásia, Turquia e territórios palestinos.

Hitler suicidou-se em 30 de abril de 1945 com uma mordida em uma pílula de cianeto e um disparo contra a têmpora. Ele se matou dentro de um abrigo de concreto construído a cerca de oito metros de profundidade na antiga Chancelaria do Reich (Reino, em alemão), enquanto as forças da então União Soviética cercavam a capital do país, Berlim.

A morte de Hitler foi anunciada oficialmente em 1º de maio de 1945. Informações de seu quartel-general, porém, sugeriram que ele havia tido uma morte heroica: “Hitler morreu em seu posto de comando na Chancelaria do Reich lutando até o último suspiro contra o bolchevismo (soviético) e pela Alemanha.”

Os primeiros detalhes sobre as reais circunstâncias de sua morte surgiram em 20 de junho. Um dos guarda-costas de Hitler que haviam escapado para o lado britânico de Berlim contou ter visto os corpos parcialmente queimados do líder nazista e de sua companheira Eva Braun, com quem havia se casado um dia antes do suicídio, deitados lado a lado perto da entrada do abrigo subterrâneo.

Segundo muitos relatos, os corpos teriam sido retirados do abrigo por nazistas, cobertos por gasolina, queimados e então enterrados. Mais tarde teriam sido transferidos para um local desconhecido para nunca mais serem encontrados.

Neonazimo alemão

Na Alemanha, o movimento de extrema direita atualmente é mais comum no leste do país, que, 20 anos depois da reunificação do país, ainda registra índices sociais e econômicos piores do que as cidades a oeste. A imigração também alimenta a xenofobia.

De acordo com o Ministério do Interior da Alemanha, os incidentes relacionados à extrema direita atingiram seu pico em 2008, com um total de 19.894 casos, um aumento de 5% em relação a 2007. Destes, mais de mil foram violentos, com dois tendo resultado em morte.

O número de incidentes violentos relacionados à extrema direita vem caindo no país, segundo o ministério. Enquanto entre janeiro e outubro de 2008 foram 639 casos, houve 572 no mesmo período de 2009. Além disso, das 12.066 manifestações da extrema direita na Alemanha nos dez primeiros meses de 2009, 8.369 foram propaganda.

De acordo com o Escritório Federal de Proteção da Constituição do país, em 2008 havia na Alemanha 156 organizações de extrema direita, com estimados 30 mil membros. O número, que se manteve o mesmo no ano passado, é menor do que os 38,6 mil membros de 2006.

Mas, apesar da aparente melhora, para muitos os dados continuam alarmantes. “O que me assusta é o ar de normalidade com que esses fatos são registrados ano após ano sem uma resposta adequada”, afirmou o ativista antirracismo Timo Reinfrank à Rádio Free Europe.

Apelo do mito

Nos últimos anos, a obra de Hitler “Mein Kampf” (Minha Luta), que se tornou a “bíblia do nazismo” no Terceiro Reich (1933-1945), alcançou recorde de vendas em mercados como Índia, Turquia e territórios palestinos. Na Alemanha, o Estado da Bavária detém os direitos sobre a obra e sua publicação está proibida até 2015, quando ela cai em domínio público.

Segundo o “Daily Telegraph”, entre outubro de 2008 e abril de 2009 foram vendidos 10 mil volumes do livro só na indiana Nova Délhi, muito pelo interesse de estudantes de negócios que veem o líder nazista como um ícone da estratégia de gerenciamento. “Eles consideram a obra uma história de sucesso de como um homem pode ter uma visão, estabelecer um plano para implementá-la e então ter êxito em colocá-la em prática”, explicou Sohin Lakhani, proprietários da livraria Embassy, com base em Mumbai, ao jornal britânico.

Além da Índia, a obra é popular na Croácia e na Turquia, onde vendeu 100 mil cópias num período de dois meses em 2005. Na Rússia, o livro foi reimpresso três vezes desde que a proibição à sua publicação foi levantada em 1992.

Em uma matéria publicada em março deste ano, o correspondente da revista alemã “Der Spiegel” em Islamabad, Hasnain Kazim, interpreta o culto a Hitler no Paquistão e na Índia como um sinal de que a população local o vê como aquele que desafiou britânicos e americanos.

“Suspeito que a maioria dos indianos e dos paquistaneses não tem a menor ideia do que esse homem fez”, disse Kazim, referindo-se ao extermínio de 6 milhões de judeus durante a 2.ª Guerra Mundial (1937-1945), conflito desencadeado por Hitler que deixou um saldo de 55 milhões de mortos.

“No mundo islâmico, do Paquistão e Irã ao norte da África, o sentimento antissemita obviamente tem um papel. Conversas rapidamente desembocam em comentários sobre a injustiça inflingida contra os palestinos que tiveram suas terras roubadas (quando da formação do Estado de Israel, em 1948)”, completou Kazim.

Segundo ele, porém, não são somente os muçulmanos que mantêm esse culto ao nazismo. Na Índia, um empresário hindu abriu um restaurante chamado “Cruz de Hitler”, cuja entrada é enfeitada com um retrato do líder do Terceiro Reich.

Além do apelo de seu livro, os esboços e aquarelas de Hitler, considerados pelos críticos dignos da nota “C”, atingem altos valores em leilões. Em 24 de abril, uma coleção de 13 peças foi vendida por 95 mil libras (quase US$ 145 mil) no Reino Unido.

*Com BBC

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