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Hoje na História: 1961 – Israel inicia primeira audiência de nazista após Nuremberg

11/04/2012

Capturado pelo Mossad, Adolf Eichmann seria condenado à pena de morte

Por Opera Mundi

No dia 11 de abril de 1961, o mundo concentra suas atenções para Jerusalém onde tem início a primeira arbitragem contra um criminoso nazista após os Julgamentos de Nuremberg. Dentro de uma caixa envidraçada está Adolf Eichmann, um homem de pequena compleição, calvo e míope.

O processo desse burocrata consciente e de inteligência medíocre expõe a “banalidade do mal”, nas palavras empregadas pela filósofa Hannah Arendt.

Futuro autor da Solução Final, nasceu em 19 de março de 1906 em Solingen, Renânia. Sua família se instalaria em Linz, Áustria, e, em abril de 1932, depois de cumprir péssimos estudos, passa a exercer funções de representante comercial. É nesse momento que ingressa no partido nazista austríaco.

Dois anos depois, vê-se obrigado a retornar à Alemanha para escapar da perseguição aos nazistas encabeçada pelo governo do primeiro ministro austríaco Engelbert Dollfuss. Ingressa então no Departamento de Assuntos Judaicos como modesto empregado, porém seu zelo o faz escalar rapidamente os degraus até o topo.

Em 1937, Eichmann mantém contato com a Agência Judaica tendo em vista facilitar a emigração de judeus para a Palestina. Ele mesmo realiza uma viagem ao Oriente Médio e ao Egito. Em grande parte devido a sua iniciativa, 17 mil judeus emigram para a Palestina em 1939, às vésperas da Segunda Guerra Mundial.

Ao mesmo tempo, em Viena, e depois em Praga, organiza a expulsão de várias dezenas de milhares de judeus valendo-se de pressões brutais. Sua eficácia faz dele um especialista em emigração coercitiva.

Em junho de 1940, após a invasão da França, Eichmann se ocupa do Plano Madagascar, que visava deportar todos os judeus alemães para a colônia francesa e, ali, os deixar definhar. O projeto é abandonado em novembro devido ao domínio do Oceano Índico pelos ingleses.

Eichmann ingressa então na Gestapo e assume a chefia do Serviço Central de Emigração do Reich, no seio do Escritório Central de Segurança dirigido por Reinhard Heydrich. Em outubro de 1941, ascende ao posto de tenente-coronel.

Longe de ser apenas um burocrata, é um executor consciente que não titubeia em dar a cara. É particularmente apreciado por seu superior Ernst Kaltenbrunner, que assumira a direção da Segurança após o assassinato de Heydrich e lhe confiaria a organização da Conferência de Wannsee, em janeiro de 1942.

Sua principal missão, todavia, se desenrola de março a dezembro de 1944, em Budapest. Lá, organiza por sua própria iniciativa a deportação e o extermínio dos judeus húngaros. Dos 400 mil deportados, 275 mil morreriam.

Eichmann é preso pelos Aliados após a guerra mas consegue se evadir em fevereiro de 1946. Com a cumplicidade dos meios ultraconservadores, foge para a Argentina com a mulher Vera e seus três filhos em julho de 1950. Ali leva uma vida modesta, ao contrário de outros fugitivos nazistas mais libertos, como Martin Bormann ou o sinistro Josef Mengele, médico do campo de extermínio de Auschwitz-Birkenau.

Vivia numa casa simples nos arredores de Buenos Aires, que ele mesmo construíra com a ajuda dos filhos, quando foi sequestrado pelos agentes do Mossad israelense. Em 23 de maio de 1960, o primeiro ministro David Ben Gurion anuncia sua prisão com voz emocionada ao Knesset, parlamento israelense.

O governo de Tel Aviv fez da prisão e do processo desse criminoso nazista uma grande operação para trazer à tona os sentimentos de terror vividos nos campos de extermínio e despertar a opinião internacional para o Holocausto.

Numerosos sobreviventes dos campos são chamados a testemunhar e o Holocausto aparece tal como fora: um genocídio planificado e executado metodicamente. Como Israel tinha abolido a pena de morte salvo nos casos de crime contra o povo judeu, contra a humanidade e de guerra, o acusado sabia que seu destino era a pena capital.

Aos 55 anos, ao termo de uma existência medíocre, odiosa e fracassada, era, no banco dos réus, o último símbolo vivo do nazismo. Respondia sem reticência aparente ao interrogatório dos juízes. Agarrando-se, a seu modo, à mínima esperança de poder escapar com vida, fala copiosamente, alegando em sua defesa o dever de obediência.

É finalmente condenado à morte e enforcado em Jerusalém em 31 de maio de 1962. Suas cinzas foram dispersadas no mar, além das águas territoriais.

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