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Trabalho de Hannah Arendt sobre o julgamento de Adolf Eichmann vira filme de Margarethe von Trotta

07/03/2012
Roni Nunes  para http://www.c7nema.net
A cobertura jornalística do julgamento de Adolf Eichmann por Hannah Arendt será o centro do novo trabalho da veterana cineasta alemã. Com locações em Jerusalém, Luxemburgo e na Westfalia (Alemanha), até o momento só este último país tem uma data prevista para lançamento do filme, 11 de Outubro. A também veterana Barbara Sukowa, que já trabalhou com von Trotta em outros cinco filmes, fará o papel de Arendt, falecida em 1975.

“Hannah Arendt” cobre quatro anos da vida da filósofa. Exilada nos Estados Unidos após a subida ao poder de Adolf Hitler, Arendt foi enviada a Jerusalém pelo jornal New Yorker, em 1961, para cobrir o famoso julgamento de Eichmann, um dos mais importantes executores do holocausto nazi. O trabalho de Arendt rendeu um livro que se tornou um clássico – “Eichmann em Jerusalém – A Banalidade do Mal”.

Sem que ainda se possa saber sobre resultado cinematográfico da abordagem, vale dizer que o pano de fundo histórico é de grande interesse. Eichmann foi uma das mais emblemáticas figuras da crueldade da famosa “solução final” que os nazis tentaram levar a cabo na 2ª Guerra Mundial. Respondendo diretamente a Heydrich, um dos líderes do regime, foi um idealizador extremamente pragmático da máquina operacional necessária para viabilizar a execução de seres humanos em massa. Após o final da guerra, conseguiu fugir com passaporte falso para a Argentina, país onde viveu pacificamente até ser sequestrado pelo Mossad, em 1960, e levado para Jerusalém para ser julgado. 

 O julgamento de Eichmann

Em Jerusalém, defendeu-se das acusações sem demonstrar qualquer culpa ou arrependimento – afirmando que apenas se limitava a cumprir ordens. Foi esse comportamento que influenciou Arendt a desenvolver a sua ideia a cerca da “banalidade do mal”, em que negava a noção de que os criminosos de guerra alemães eram psicóticos diferentes das pessoas “normais” – ideia de humanização semelhante, aliás, ao retrato de Hitler feito por Oliver Hirschbiegel em “A Queda”. Esta tese gerou grande controvérsia. Eichmann foi condenado e enforcado em 1962.

Em entrevista ao Instituto Goethe, von Trotta afirmou que o grande desafio foi colocar em imagens os pensamentos de Arendt – e veio daí a insistência em que fosse Sukowa a fazer de Arendt, pois a sua experiência em filmes como “Rosa Luxemburgo” a habilitavam a captar com precisão o discurso da filósofa – assim como da sua capacidade de improvisar. Eichmann, por sua vez, não foi vivido por nenhum ator: a realizadora entendeu que seria impossível dar um carácter realista o suficiente a figura do criminoso nazi – que aparece no filme sempre com imagens de arquivo do julgamento. Von Trotta já realizou biografias sobre mulheres importantes, como o já clássico “Rosa Luxemburgo”, de 1986, e uma recente abordagem sobre vida da freira Hildegard von Bingen, de 2009. Em Portugal foi lançado em 2003 outro dos seus filmes mais importantes, “As Mulheres de Rosenstrasse”.
Roni Nunes 

Artigo retirado do site www.c7nema.net

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