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Uruguai rejeita anulação de lei que investigaria ditadura

26/10/2009

Após série de confusões, Uruguai rejeita anulação de lei que investigaria ditadura

Maurício Savarese
Enviado especial do UOL Notícias
Em Montevidéu
Sim, não, talvez, não, sim e, no término, um peremptório não. Foram essas as respostas que as projeções e, mais tarde, as autoridades uruguaias deram sobre o resultado do plebiscito que anularia a lei de proibição para o Estado investigar crimes cometidos pela ditadura. No fim das contas, 52,64% dos uruguaios que votaram no domingo (25) rejeitaram a medida e, civilizadamente, enterraram o fantasma.

ELEIÇÕES NO URUGUAI

As primeiras projeções depois do fechamento das urnas diziam que a anulação da lei seria aprovada. Quase uma hora depois, as mesmas já afirmavam que não. Depois, surgiu dúvida nos analistas que falavam na televisão, uma vez que os votos brancos e nulos ainda não tinham sido computados. Acabaram cravando mais tarde que o resultado era a vitória do não, levando os presidenciáveis que disputarão o segundo turno, o ex-guerrilheiro José “Pepe” Mujica e o ex-presidente Luis Alberto Lacalle, a dar declarações sobre o assunto. Parecia fatura liquidada.

Mas nesta segunda-feira uma autoridade da Corte Eleitoral do Uruguai disse a jornalistas que uma reviravolta tinha ocorrido. As redes de televisão se apressaram para colocar o resultado anunciado em dúvida. Horas depois, o mesmo oficial corrige o engano: tinha visto a votação de Montevidéu, e não a do país inteiro. É reafirmada a derrota da anulação da chamada “Ley de Caducidad”, pela qual a esquerda uruguaia militou e que causaria um longo processo de revisão histórica.

“Para nós não muda muito”, disse a jornalistas o coordenador da campanha pela anulação da lei, Óscar López Goldaracena. “Essa é uma lei inconstitucional e o Uruguai já sofre críticas de vários organismos internacionais por conta dela. A luta contra esse instrumento vai continuar, como teria de continuar se o plebiscito tivesse dado aprovação à anulação de qualquer maneira.”

O advogado afirmou que o direito internacional determina que a ditadura civil-militar entre 1973 e 1985 cometeu crimes contra a humanidade. Analistas locais atribuem o resultado em parte à vitória política de Pedro Bordaberry, presidenciável do Partido Colorado que terminou com 16,66%, e filho do ex-ditador Juan María Bordaberry.

Reação mista
Os dois finalistas da eleição presidencial uruguaia tiveram reações mistas sobre o resultado. Mujica, ex-guerrilheiro do grupo Tupamaro, que passou 14 anos preso acusado de crimes como sequestros e assaltos, criticou o fato de o plebiscito ser realizado junto das eleições gerais e disse que o assunto “não está encerrado”. Já Lacalle considerou que “o resultado se respeita, o Uruguai falou”.

Na frente da sede do Partido Blanco (centro-direita), o advogado Ricardo Cuevas, 34, votou pela rejeição da anulação da lei. “Se continuarmos perdendo tempo como o nosso passado, não poderemos olhar para o futuro. Aos poucos o Uruguai está melhorando e entrar retomar essa fase de perseguição e de revisão histórica nos atrapalha na ideia de retomar um bom crescimento econômico”, afirmou.

Já o militante esquerdista Luis Puig, 32, lamentou o resultado que “consagra a a impunidade dos terroristas de Estado”. “A luta pelos direitos humanos é uma luta permanente e seguirá vários caminhos. Queremos essa revisão para que nunca mais haja ditadura nem terrorismo de Estado.”

O outro plebiscito votado no domingo, que decidia se os uruguaios no exterior poderiam participar das eleições, também foi rejeitado.

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